quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Tão pouco



Eu não quero e não vou te falar sobre como me sinto só. Não quero mais uma vez te ver sorrindo do meu "drama" e passando a mão na minha cabeça como se eu fosse um cachorro e devesse me contentar com esse gesto.
Mas eu também não vou ficar sempre aqui, esperando você sorrir pra eu poder sorrir também. Esperando você deixar eu te tocar sem ficar inventando motivos pra me afastar. Dói sabia? Dói muito. Então vê se para de fazer cara feia quando eu me afasto, para de achar que tem razão quando se sente só e quer o meu abraço. Ta na hora de aprender que, na vida, a gente precisa dar para receber.
Cresce e decide quem quer ser, ao menos uma vez vê se facilita as coisas pra mim. Seja paz ou vai embora, porque esse misto de frieza com carência é démodé, é feio, não tem graça.
Você é a promessa de algo que não acontece nunca, é o "quase", é a frustração de ver todas as minhas forças sendo jogadas no lixo porque eu não sou suficiente pra te satisfazer. Você é a minha melhor amiga gritando no meu ouvido que eu preciso PARAR de colocar a minha felicidade nas mãos dos outros e seguir em frente, que eu preciso seguir em frente. Sozinha.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Só.


Em alguns dias eu tenho sonhos cheios de cores. Geralmente esses sonhos não terminam quando acordo e me acompanham até o final do dia, quando antes de dormir me pergunto qual será o meu destino no sonho que virá. Escovo os dentes, sirvo meu café, visto uma roupa qualquer para ir trabalhar. Finjo me interessar pelo assunto dos outros, finjo sorrir, mas na verdade não estou realmente ali. São dias em que quase tudo que me é externo machuca. Uso relacionamentos como pontes com a realidade mas em alguns dias me sinto tão presa em mim que não consigo visualizar as pontes. Tudo se torna um borrão cinza e eu me encolho, ainda mais. E quanto mais me encolho mais me machuco e se por acaso tento mudar de lugar perco as forças.
Me refugio nas cores menos vibrantes desses sonhos que possuem paletas intermináveis. Quando tropeço em cinza desenho cidades vazias e por lá ando sozinha. E se do lado de fora o sol resolve dar as caras eu seguro o choro. Não que o sol seja triste, mas é justo que eu não consiga admirá-lo? É justo que ele sorria pra mim e eu não possa sorrir de volta?

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Você se lembra de como eu quebrei o seu coração?




Você se lembra de como eu quebrei o seu coração?

Foi um céu cinzento na segunda feira
não havia mais nada que eu pudesse dizer
então eu chamei você de Ohio em um estacionamento de motel
lembro-me de como você me cumprimentou
você sabia que não estava destinado a ser
Neste telefonema após dois anos de luta e de lágrimas

Lembra-se de como eu quebrei o seu coração?

Depois de tudo que passamos, de todos os danos que eu causei
de todos os ciúmes que você deixou gravado em mim
o fim estava próximo e tinha que acontecer
Então eu chamei você de Ohio em um estacionamento de motel
Para não dizer nada e também tudo, lembro que eu estava tremendo

Lembra-se de como eu quebrei o seu coração?

Eu bebi pra esquecer você, gastei dinheiro, fiz uma tatuagem
hospedei-me um fim de semana em Oregon e comprei uma passagem de avião para uma ilha
antes parei pela primeira vez em Toronto onde encontrei um homem que quase me deixou ir
Quatro anos mais tarde me casei com esse homem e sou mais feliz do que um dia sonhei que poderia ser.
Então veja, eu tinha que deixar você ir depois de um telefone de Ohio, preenchido com silêncios e desculpas.
Ainda em tempo, eu te amei como você me amou.



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

"O amor mais manso, mais denso, mais intenso, mais bonito..."


Ler escutando: https://www.youtube.com/watch?v=UKiLicOMglE


Quando a gente entra na nossa casa toda maldade do mundo fica do lado de fora. Na nossa casinha não cabe mentiras, intrigas, falsos sentimentos e tudo o mais que essa gente toda insiste em cultivar. A gente senta no sofá que nem é um sofá de verdade e corre na volta da mesa que quase desmonta enquanto a gente dá risada. Mas isso é um segredo nosso, ninguém entenderia se a gente contasse.
Tem carinho desde o tapete da sala até o pegador de pratos quentes carinhosamente apelidado de Kéko. Tem amor no café quentinho e também debaixo do lençóis. Tem companheirismo nas roupas jogadas e nas séries que assistimos. Tem paz na varanda de casa e no filtro dos sonhos. Tem tormento também, desde o papel higiênico colocado ao contrário até o celular com facebook.
Tem a gente. E a gente é um mundo tão completo que do lado de fora das nossas paredes parece que falta alguma coisa, que os outros não sabem o que a gente sabe; que carinho é combustível, que maldade é doença, que o amor é a única coisa que faz essa vida valer a pena. Que estar lá quando o outro precisa é plantar a certeza de que a gente não precisa enfrentar tudo sozinho. Cuidar do outro é cuidar de si, não magoar o outro é não magoar a si mesmo. E que nossos detalhes não são nada perfeitos mas o nosso todo extrapola a perfeição. Tanta gente aí desesperado pra ter com alguém um pouquinho do que a gente tem, mas sem saber o que a gente sabe.
A gente planta bondade e colhe felicidade, mas não conta pra ninguém, eles não entenderiam se a gente contasse.

quinta-feira, 19 de março de 2015

I've Always Been Alone, But Now I'm Lonely



Houve um tempo em que eu te quis inteira. Do fio de cabelo fino ao dedão do seu pé meio feio. Eu quis te contar tudo sobre mim, antes que você descobrisse o meu caos sozinha e acabasse se assustando. Eu quis que você fosse o meu amanhã e lutei pra ser o teu também. Um amanhã cheio de coisas leves, de bons cafés e muitas risadas, cheio de todas as sutilezas que nos foram negadas antes.
Mas quando fui te contar sobre mim você não quis escutar, quando tentei te abraçar inteira você fez questão de se esquivar, quando eu fui sincera você mentiu.
Então hoje eu só me quero de volta da forma menos doída possível. Quero voltar a ter esperança de um amanhã melhor, com noites de sono profundo envolvida por um abraço apertado que me impeça de cair no meu próprio abismo. Quero começos e quero finais também, porque o que eu não suporto é esse todo pela metade, é esse teu meio amor, é esse teu silêncio.
Eu sofro todos os dias a dor do adeus que eu nunca consigo pronunciar e rezo todos os dias pra encontrar uma saída sem precisar sair do lugar.

sexta-feira, 13 de março de 2015




 "Eu não estou em boa companhia,
preciso mesmo de alguém que me lembre como é ser do bem
Sem precisar me destruir."



quarta-feira, 11 de março de 2015


Fale por mim Veronica:

"Desculpa minha maneira de dizer, assim, sem qualquer introdução ou motivo, mas você não mente bem. Quanto mais você tentou mostrar que não se importava comigo, mais deixou claro que toda a sua atenção da noite era pra mim.

Se dependesse de você, ficaríamos eternamente nos encarando sem chegar em lugar nenhum. Você se tornou o desafio perfeito e, confesso, sua embalagem prometia muito mais do que o produto realmente é. Fui eu quem cuidei da parte da atitude, da conversa, do momento certo. Acho muito cansativo ser responsável por tudo, então eu desisto de tentar te fazer humano. Pode seguir com sua falta de vida, cheio de pose e frases prontas.

Não vou passar dias te observando só porque você é lindo calado, não vou deixar você me cercar a noite toda e depois ir embora só porque dessa vez eu não devolvi o olhar e você ficou sem saber o que fazer. Você não sabe conversar e eu sou um poço infinito de palavras, jogadas na sua cara, mostrando que a falta de conteúdo pode sim te afetar. Era muito fácil com aquelas garotas, não? Um pouco de álcool, o que você faz da vida, vamos fugir de todo mundo. Mas e alguém de corpo e alma? Aí você desiste, porque no dia seguinte não tem mais o que falar.

No fundo eu sou de mentira, assim como você. E não é uma identidade que nos tornará real. Falta em você algum brilho, alguma individualidade, algo que te faça especial. Em mim esse brilho sobra e eu saio por aí espalhando, como se fosse bonito me perder em todo mundo só porque meu corpo não é suficiente pra me abrigar. E nós seguimos sendo nada, sendo só rosto marcante e nome fictício, enquanto você não descobre que eu leio sua insegurança e me disponho a curá-la e eu tenho preguiça de dizer.

Vou deixar você procurar em todas o que você só vai achar em mim, mas não vou te esperar. Quando você perceber, será tarde demais. Mas eu deixo você olhar, porque você é lindo calado e eu falo para um plateia inteira. Se algum dia Manequim for objeto de palco, a gente se encontra." Veronica H.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O Apartamento



A luz do dia invadia o apartamento pelas frestas da persiana da sala. Sempre achei frio lá dentro mas não lembro de reclamar disso muitas vezes. Uma xícara de café quente ou um copo com alguma bebida forte sempre ocupava uma das minhas mãos enquanto a outra ostentava um cigarro.
Devo ter andado por alguma espécie de labirinto porque todos os caminhos me levavam de volta pra lá. Uma desculpa diferente para cada retorno mas o mesmo motivo para voltar. De muitas coisas que já me intrigaram aquela era uma delas; o lugar, a pessoa. Não gosto de mistérios, odeio gente que se esconde atrás de meias verdades, omissões e qualquer tipo de mentira por mais inocente que ela possa parecer.
Nada ali era falso e eu talvez jamais consiga explicar a minha certeza a esse respeito. A cor do sofá, a desorganização da cozinha, o descanso de copos em cima da estante da tv, os poucos móveis no quarto; tão pouco a dizer, mas sempre havia algo sendo dito.
Estava tudo bem enquanto o sol não surgisse pelas frestas. O escuro parecia combinar bem com a musica tocando ao fundo e o som das nossas conversas incessantes. Talvez tenha a ver com o fato de eu detestar o amanhecer e tudo o que ele representa ou quem sabe eu só quisesse uma companhia, alguém pra saber que o escuro fazia parte de mim e que eu quase não podia existir fora dele.
Ela me roubou muitos sorrisos e eu devolvi algumas lágrimas. Queria ter deixado outras impressões naquele lugar mas pra isso eu teria que optar entre me virar do avesso e deixar uma lembrança mais suave. Escolhi a primeira, a mais difícil mas com certeza a mais sincera. Lá eu não poderia ser nada menos do que eu mesma; confusa, bêbada, crítica, ácida, triste. Não lembro de ter sido tão "eu" outras vezes.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Desencontros.



Gritei, xinguei, quebrei, bati, chorei, morri, supliquei pra que tu me mostrasse o caminho que levava ao teu encontro, mas tu nunca me ouviu. Por mais que eu falasse, tu nunca soube me ler. Pra ti sempre fui o caos sem tradução, na maior parte do tempo tu via em mim vazio. Do teu lado eu sou só e somente.