segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sonho

"Então do devaneio restou o medo, ao acordar, a incerteza. E se todos os fatos que que um dia lhe contaram sobre realidade, não passasse de irrealidade? A sensação era estranha, as mãos trêmulas, os dentes trincados, os suor escorrendo-lhe pelo rosto e o olhar tentando não percorrer os cantos escuros do quarto, com medo de ver o que já havia visto. E se não houvesse mais volta?"

O Escritor.

"Novamente sob a fraca luz do abajur, com a velha caneta e um pedaço de papel qualquer, esculpia suas palavras vindas de um vocabulário escasso. Mais um momento em que se via tomado pela solidão daquele vazio que há muito tempo o acompanhava e por aquele sentimento estranho que agora vinha bagunçar o seu vazio, os seus versos e a sua vida."

Me rendo.

"Me rendo...
achei que fosse capaz, achei que não fosse tão difícil. E não foi.
Não houve dificuldade, pois não houve batalha você simplesmente me invadiu, e bagunçou a minha vida sem pedir permissão.
E eu... a princípio neguei, xinguei, fingi lutar quando na verdade, nada mais podia ser feito, na verdade, era inevitável que acontecesse.
"Me rendo a esse amor, mas não me rendo a mim mesma" palavras minhas, palavras de quem se esconde atrás do orgulho pra não se sentir assim, tão vulnerável, tão ferida. Não posso deixar que meus impulsos me dominem, que deixem que teu rosto se torne o meu horizonte. Não posso deixar tudo pra trás... pq não há nada na frente. Não existe um destino nosso, existe apenas um vazio a nossa frente. Não há como prosseguirmos juntas. Não há nada reservado pra nós."

Inconsequência.

"Pq ainda me olhas, me chamas, me falas, me enlouqueces?
Não é suficiente o tanto que tens de mim?
Um tanto que me faz falta, tanta, que chega a doer.
Quero esquecer pra não lembrar, enquanto minha mente tenta lembrar pra não esquecer.
Viu o que fez de mim? Me encontro como uma louca, a procura de um cigarro, já com a voz rouca. De gritar calada, no meu sonho, no meu quarto, enquanto dormes tranquilamente demonstrando que podes inconsequentemente, brincar e machucar."

Bella no Chão.

"Que dizer diante de tão sublime visão?
Conversar, beijar, tocar?
É mais fácil deixar os olhos fotografarem,
tamanha beleza, estendida no chão."

Você.

Você realmente deve achar engraçado,
a maneira como eu sofro, como eu choro,
como torço para no telefone ter o seu recado.
Dizendo: Oi! To viva! To bem! Não demoro.

Você realmente deve achar divertido,
me ver perdida fazendo bobagens, infantilidades,
usando meu orgulho como escudo,
para não morrer em meio a tanta sensibilidade.

Você realmente deve ser forte,
ou na verdade, nem se importa.
Queria ver sua fortaleza
se todo esse amor, batesse na sua porta

E se você pensa que eu não sei... eu sei. Tudo que você
quer, e tudo que não vai ter. Não irei preencher seu vazio,
nem te deixar perceber, o tamanho da minha dor por
não ser capaz de ser, tudo que você gostaria de ter.