domingo, 5 de setembro de 2010

Não sinto nada.



E então me vejo confortavelmente perdida em meio a tanto silêncio. Foi
assim que eu quis, eu lembro. Sinto o corpo dormente, a visão embaçada e o
humor extremamente estável. Estou bem, tão bem, que faço isso todos os dias
dali pra frente. As vezes mais, as vezes menos, mas preciso ficar assim, sem
sentir. Não tenho mais dor, não tenho mais mágoa nem rancor. Não tenho
fome, não tenho sede, apenas meu cigarro, mas não lembro porque motivo
ele está no meio dos meus dedos, se já não preciso fumar.
Não sinto nada, nem o toque da minha própria mão no rosto. Nem ao menos
sinto quando caio no chão do banheiro batendo de cabeça no azulejo e
percebendo o sangue a escorrer pela minha testa. Não sinto a navalha, não
escuto as palavras que essas pessoas a minha volta falam... enfim eu
consegui meu amor... já não sinto nada.

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