sábado, 25 de junho de 2011

Mais uma garota.


De certa forma ela ainda era uma menina. Carregava a leveza de ser criança em cada gargalhada particularmente estranha que emitia quando achava graça em alguma coisa. Era do tipo sensível, e se distribuía tantos carinhos entre os amigos e para todos aqueles de quem gostava, era porque tinha uma extrema necessidade de receber carinho. Mas isso ninguém sabia, ela não deixava que os outros percebessem o quão fraca ela podia ser. Preferia ser vista com a maquiagem pesada nos olhos e o cigarro entre os dedos em meio as luzes de uma festa. Porque lá ela não precisava ser, bastava estar.
Na festa era a garota que estava na pista e se mexia de olhos fechados enquanto sentia a música pulsar no seu corpo. Bastava encantar meia duzia de garotos, ou uma outra garota, e quem sabe até trocar uns beijos ou ir para a cama com alguem. Ia assim, levada pela bebida, carregada por alguém que provavelmente iria tocá-la como se podesse sentí-la. Ela não sentia os toques, nem os beijos, nem ouvia as insinuações ditas em seu ouvido durante o sexo. Por vezes até fugia dos toques, se esquivava dos beijos pedia desculpas e ia embora se dando conta de que da próxima vez teria que beber mais.
Ela sorria chorando,chorava dormindo e acordava sonhando. Sonhando que um dia não precisaria mais da bebida para transar, nem tampouco pedir carinho para alguém ou se esconder atrás da maquiagem, porque aquela pessoa que era capaz de lhe tocar de verdade, um dia chegaria pra ficar. Ela sonhava com isso todos os dias quando acordava e depois ia pintar os olhos.
Não aguentava mais escrever textos sobre solidão, era tanta fraqueza ficar ali chorando as dores, fazendo terapia sob orientação do papel e da caneta que ela não suportava e rasgava tudo que escrevia .Tinha o hábito de trancar a porta do quarto e chorar enquanto se cortava. Patética! Era exatamente assim que ela sofria e se fazia sofrer. Depois escondia as marcas e inventava mentiras sobre as cicatrizes.
Não tinha a pretensão de ser a pessoa mais equilibrada do mundo, e sabia que isso não era possível para alguém com a personalidade dela. Mas queria não mais depender de ninguém, nem do carinho nem da admiração nem do toque daquela pessoa que sabia tocá-la e a quem ela tanto amava. Queria só ser livre e ter o coração leve como o de uma criança para esquecer aquela jovem que precisava se esconder atrás de olhos pintados de preto e falsos orgasmos para conseguir lidar com o fardo de ser sozinha.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Mente.

Cada vez que você se vai, eu fico aqui. O problema é que fico a espera, a tua espera, pra sorrir novamente, pra sonhar novamente, pra olhar pra você, pra escutar suas histórias banais sobre o dia-a-dia, sobre nossos amigos, sobre suas coisas. Eu gosto da sua voz, gosto de te ouvir falar, gosto da sua companhia. E você quando comigo, é como se estivesse bem, e você longe de mim, é tudo bem também. Eu longe de você é solidão, é tristeza, é carência, é abandono. É espera, no computador, no telefone, nos meus cachorros que não latem pra ninguém, no meu quarto vazio. Você não sabe, porque não me espera, porque sabe exatamente aonde ir pra me encontrar, não precisa me esperar. Pra você estou sempre aqui, não é? E me dói, porque preciso de você, mas mais do que isso, me dói você não precisar de mim. Me dói ser sua, quando você quer, e ser de ninguém quando você não me quer. Me dói perder as forças pra falar, que mais do que te odiar, um dia vou conseguir te ignorar, quando no fundo o que eu mais queria era ser pra você, tudo que você é pra mim. Você me dói sem razão de ser, machuca sem tocar, bagunça meu ser porque é assim, essa é você.
Eu sei brincar, jogar. Na verdade sempre fiz os meus joguinhos. Mas com você eu me recuso, não quero mais, porque sei que se eu jogar não vai ser pra perder, e no fim, serão duas derrotas, a sua e a minha. Se for pra ser, quero mais do que a metade, da metade que você me dedica. Não falo de tempo, falo de carinho, de atenção. Se eu pudesse, trocaria metade do tempo que você me dedica pelo dobro da atenção que você me dá. Aí, talvez, eu possa dizer que você não mente quando diz que me ama, não mente quando diz que lembra de mim, não mente... apenas não mente.

Moderadamente.

Nem tudo que quero me faz bem, nem tudo que desejo eu sinto falta. Não me difiniria com a palavra "complicada" mas acho que "sentimental" seria a palavra mais adequada. Hoje eu quero viver, sentir, respirar, sorrir, procurar a felicidade nos lugares onde ela possa me parecer menos volátil.
Tomo decisões erradas, culpo quem não tenho que culpar, não esqueço quem deveria esquecer. Mas tudo isso porque sinto demais, a ponto de me perder em meus próprios sentimentos. Estar ao meu lado não é como viver em uma montanha russa de emoções, mas quem quer estar comigo, precisa aprender a sentir com a emoção que eu sinto, se não quizer se tornar mais uma figura descartável no meu mundo. Não faço questão de companhias superficiais e passageiras. Não sei lidar com esse fluxo de pessoas que fazem questão de entrar na vida dos outros apenas para deixar uma marca de sua passagem... dispenso completamente esse tipo de gente.
Quero amigos verdadeiros, amores profundos, porque a verdade é que não suporto a superficialidade com a qual algumas pessoas teimam em tratar os sentimentos. Eu sei amar de diversas formas, mas nunca de maneira moderada.

Melhor vestido.

"Não vai adiantar eu colocar o meu melhor vestido, fazer a melhor maquiagem, usar o perfume que você gosta. Posso fazer drama, implorar por atenção, chorar desesperadamente, ameaçar deixar você, nada vai adiantar. Não adianta pq você nem ao menos estará aqui pra me ver e ouvir. São as paredes que escutam meus lamentos, o espelho que me critica, meu travesseiro quem me acode. Meu olho que borra, meu vestido que tiro, meu perfume que me enjoa. Outras pessoas entram na minha vida e se cansam de esperar pelo sentimento que eu dedico inteiramente a você. E por que? Eu realmente gostaria de saber. Diante de tantas outras ofertas de felicidade eu ainda permaneço aqui plantada, estagnada, presa apenas a esse sentimento que teimo acreditar que vale a pena. Me agarrando com toda força a essas migalhas que você joga pra mim, pra me manter bem aqui, sempre a sua espera. Porque é suas migalhas que me fazem sorrir e correr pra vestir, outra vez, o meu melhor vestido."

Na noite.

"Eu percebi que nem as bebidas mais fortes, nem os cigarros mais caros, nem as noites mais loucas são capazes de me provocar o que o teu toque me provoca. Que não há nada mais embriagante que o teu beijo, que a tua boca. Mas eu continuo na noite louca, com a bebida mais forte, com o cigarro que eu poder comprar só porque eu preciso ocupar esse vazio enorme que me causa a falta do teu corpo. É como uma droga esse desejo sabe?"

Medo.

"Medo!" ela dizia. Mas não sabia explicar o que lhe causava tanto pavor. Era incontrolável, desestruturante e mesmo assim ela não conseguia apontar o ponto de partida para tanto sentimento. "Que medo!" ela dizia, mas ninguém escutava... ninguém entendia.

O quarto.

"Um dia seu quarto deixou de ser seu quarto. E pela janela pode ver tudo que havia deixado para trás, porque não teve escolha."

Um Tanto

As vezes me pergunto o que fazer com esse tanto. Chego a pensar que um dia esse vulcão aqui dentro vai explodir, e nem consigo imaginar as conseqüências disso no meu corpo. Deveria ser pecado sentir assim. Canso de repetir em meus textos e para mim mesma que o mundo prático não é feito para gente como eu, que não pára de produzir sentimentos.
É medo, amor, paixão, solidão, tristeza, loucura sem repressões, sem esse controle que os seres equilibrados exibem por aí. Louca, passional sensivelmente insana! E é possível ver beleza nisso? Eu vejo exagero... vida em demasia.