segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Quando fiquei sozinha - Ne me quitte pas




Sempre fui uma criança medrosa. Se o meu pai se atrasasse 15 minutos para me buscar na saída da escola eu já me tornava convicta de que havia sido abandonada. E parece que mesmo depois de adulta as coisas não mudaram. Durante muito tempo acompanhada pelo medo físico e  desesperador de ser deixada, de estar sozinha no mundo.
Aos 15 anos tive a minha primeira namorada. Lembro de uma discussão pelo telefone em que ela disse que não viria mais passar o final de semana na minha casa. A primeira coisa que fiz quando ela dobrou a esquina foi chorar e ir ao encontro dela de braços abertos. Foi engraçado, segundo ela, tantas lágrimas por um simples "Quer saber, acho que não vou pra tua casa!".
Depois outra namorada, de quem escutei um "eu te amo" enquanto me falava sobre os motivos mais medíocres para terminar qualquer relacionamento. Eu, por outro lado, dizia que nada daquilo era possível porque naquele momento eu usava o vestido e o perfume que ela mais gostava. Eu nem ao menos conseguia lidar com o fato dela estar me abandonando, meus argumentos eram "Mas como assim? Eu coloquei o vestido e o perfume que você mais gosta!". Obviamente isso não surtiu efeito nenhum na decisão dela.
Só então eu resolvi ser sozinha de verdade. Aprendi a engolir o pânico e o choro e consequentemente me tornei mais forte, mais ríspida e mais fria. Nunca mais sofrerei de abandono novamente embora sofra todos os dias dessa dor. Foi então que algumas ofertas de amores bateram a minha porta. Ironia ou prazer humano de querer o que não se pode ter? Na verdade pra mim não faz diferença, meu coração continua nas minhas mãos.
Quase chego a pensar que essa gente que vem bater a minha porta é de um mau caratismo único. Como podem oferecer amor pra mim? Não entendem a gravidade dessa proposta? Obviamente que não. Então descarto todas as declarações e confesso que por vezes chego a bocejar enquanto você fala do quanto se apaixonou assim, tão rápido por mim.Por favor, não confunda minha idade com a minha inteligência. Se for pra sentir algo, que seja aquele amor que a gente sabe que dura pra sempre, por mais que se modifique, aquele amor que é capaz de dizer com convicção : "Quero que a gente nunca se separe, mesmo que tudo mude." porque esse é o único amor que eu ainda acredito na vida. De resto, se estiver interessada em balançar minhas estruturas terá um pouco de trabalho então lhe aconselho a procurar outra distração. Esse coração aqui tá fechado pra balanço por tempo indeterminado.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O Amor, o tempo, os bons acadêmicos e o meu foda-se!




Duas coisas tão descartáveis para os meus contemporâneos: amor e tempo. As vezes penso que não pertenço a esse meio, a essa gente que nem percebe mas passa a vida inteira atrás de algo que não sabe definir o que é. E o mais engraçado é que a boba nessa história toda sou eu.
Irresponsável, malandra, inconsequente são os adjetivos que eu mais escuto. Tudo porque não sou assim vendável como a maioria de vocês. Fico pensando em quanto tempo já perdi com essas coisas. Pra vocês tudo isso é parte da obrigação, da integridade e da moral de um ser humano ter um amontoado de papéis em uma gaveta escritos "certificados". Pra mim é papel que muitas vezes não serve nem pra limpar a bunda.
De forma alguma quero dizer que as pessoas devam se tornar ignorantes completos, mas será que eu sou a unica que percebe que tudo isso recebe uma importância muito maior do que de fato tem? Ninguém precisa de Doutorado pra ser feliz! Eu não quero, repito, não quero e não preciso de uma quantidade enorme de dinheiro no banco. Eu só quero viver, amar e ter um mínimo de tempo para fazer essas duas coisas.
Não me iguale a você. Quando pensar que por ser uma acadêmica (por enquanto) adepta de algumas conversas intelectuais e repertórios adquiridos em bibliografias de nome complicado me faz ser igual a você, esqueça isso! Eu não sou e não pretendo ser. Enquanto você tenta esculpir nas pessoas o amor perfeito, eu te digo que ele visitou a minha porta duas vezes. Com todas as suas complicações e passionalidades porque o amor verdadeiro nunca será perfeito.
Agora conte-me caro acadêmico... quantas vezes mesmo você perdeu o controle de seus próprios sentimentos? Bom, nem precisarei falar de tempo. Enquanto você perdia 12 horas com a cara enfiada em um livro, eu era feliz. Com uma simples conversa em familia, um filme assistido com uma boa companhia, ou  vendo a chuva bater na janela e ainda assim, receberei o mesmo canudo que você ao final do seu curso. Talvez pense que vai ser mais feliz por ter uma casa ou um carro melhor e etc. Eu só acho que você terá filhos mais mimados.
Mais um foda-se em meu blog, e esse foda-se vai pra vocês caros colegas.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Foda-se




Hoje fiquei triste. Depois de tanto tempo sem derramar uma lágrima creio que derramei o reservatório inteiro. Eu consegui esquecer e isso me fez sorrir durante vários meses consecutivos. O problema é que nunca deixei de amar. Hoje percebi que amo alguém que eu não lembro quem é. Hoje eu amo ninguém e ninguém me ama! Pode ser um péssimo trocadilho mas é assim que me sinto. As fotos estão bem ali. Dois cliques e "aháá" lembrarei como é o rosto dela. Mas não quero olhar, tenho medo.
Talvez me sinta estranha de ver a foto de alguém desconhecido me tocando, ou talvez até me dê náuseas. Melhor não, melhor continuar escrevendo mais um dia no meu blog que dessa vez servirá de diário e foda-se, hoje eu me permito. Me permiti até falar em você, veja que honra. Você aí que não tem mais um rosto, deveria me agradecer. Além de amar ainda escrevo sobre você em meu blog! Não que meu blog seja grande coisa mas você também não é, afinal se fosse, teria no mínimo um rosto.
Então, pessoa sem rosto e sem tantas outras coisas (disso eu ainda lembro) favor manter-se distante do meu pensamento. Deveria ao menos ter tido a dignidade de levar embora esses péssimos adjetivos que eu ainda lembro que pertencem a você. Da próxima vez bata os pés ao sair pela porta de alguém, tá dando trabalho limpar sozinha essa bagunça toda que você fez aqui.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A ultima carta não enviada.




Eu sei que você pensa em mim quando vê alguém falar em cinema, montagem ou Eisenstein. Quando alguém te diz pra ser menos metódica, menos séria, menos boba. Se alguém disser que te odeia, assim bem baixinho no ouvido, sei que nem que seja por um segundo você vai lembrar de mim. Quando alguém te chamar apenas pelas três primeiras letras do nome, chorar porque você vai viajar por 15 dias, te abraçar e dizer que sente orgulho após a apresentação de um trabalho, em algum momento eu estarei passando pela sua cabeça.
Sabe, eu não costumo pensar nisso. Você foi embora, não ligou, não deu sinal de vida e nem demonstrou nenhum sinal de arrependimento. E você sabe, não sou o tipo de pessoa que se deixa iludir ou que se ilude. Mas hoje o dia tava tão sem cor e eu me vi tristemente combinando com ele. Então, me permiti lembrar um pouquinho de toda aquela cor que a gente jogou uma na vida da outra. Que bagunça a gente fez heim? As vezes penso que toda aquela luz, toda aquela cor acabou por nos cegar um pouco.
Você está cega. Anda perambulando por aí, meio sem destino meio sem consciência. Falando sobre planos que nunca poderá cumprir, sobre amores que nunca terá a capacidade de sentir. Talvez nem perceba o que todo mundo percebe, que simplesmente você não faz ideia do que está fazendo da sua vida. E eu fico cada vez mais triste de olhar pra você e me decepcionar. Nunca me pareceu alguém equilibrada o suficiente pra aguentar a barra que estava enfrentando, mas te ver fazendo tudo errado só me faz ter mais certeza de que você não merece ter nas mãos o sentimento de ninguém, muito menos os meus.
Então em dias como hoje eu tenho as nossas lembranças pra não deixar que tudo fique cinza. É difícil abrir os olhos e perceber que não passam de lembranças que só existem na minha cabeça e que nunca mais se repetirão na minha vida. Mas enquanto eu não acordo, eu consigo sorrir um pouquinho. Lembrando do teu rosto, do teu cheiro, do teu corpo, do teu sorriso, matando a vontade de ter só mais uma vez nos meus braços.
Amanhã vai sair o sol, e eu não precisarei preencher a minha paleta com essas poucas lembranças que só me machucam. Amanhã vou abrir a janela pra luz entrar e a porta pra um novo amor que venha pra ficar. E vou sorrir como ontem e como o mês passado. Hoje vou ficar aqui, sozinha e em silêncio velando essas ultimas lembranças que resistiram a tantas noites em claro.

domingo, 11 de novembro de 2012

Desculpas.




Tudo me dói e eu não quero mais falar sobre isso. Na verdade criei uma espécie de escudo que funciona pra mim e para os outros e no fim me mantém em uma realidade longe daqui. Porque o problema é que eu continuo nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, com os mesmos hábitos e com os mesmos ideais. Deve ter sido fácil e divertido pra você que hoje frequenta a realidade que eu te inseri. O problema é que essa realidade era a minha! Então você está em tudo que eu faço e eu já não sei mais o remédio pra isso. Não quero deixar tudo pra trás porque simplesmente não tenho mais tempo pra me reconstruir. Quero poder conversar sobre tudo com os meus amigos, andar pelas ruas que sempre andei, ouvir as musicas que sempre escutei sem ter que me deparar com mais uma lembrança sua.
Então que me perdoem alguns amigos, as velhas ruas e as boas musicas. Hoje, pelo menos hoje, vocês são demais pra mim. Porque me trazem a lembrança daquilo que todos os dias eu rezo pra esquecer. Que me desculpe a jovem Cíntia insegura, sorridente, suave e sonhadora que eu tento voltar a ser. Pra você também não tem mais espaço aqui dentro então não tenta voltar a viver quando eu solto um sorriso bobo, você não tem forças pra aguentar o que vem na sequência. Não tem mais espaço aqui, pra nada e nem pra ninguém. Eu vivo transbordando, mas isso é quase um segredo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Simples.




Entenda uma coisa, estou aqui completamente atrapalhada tentando juntar o quebra cabeça que se tornou o meu coração. Não tenho forças e muito menos vontade de correr atrás de alguém, então é simples: se ela esteve aqui veio com as próprias pernas. E que verdades sejam ditas sem sutilezas, apenas para responder a altura; o problema é que havia alguém lá e esse alguém não era você. O que diga-se de passagem não faz sentido nenhum afinal você ainda falava em amor. Acreditar que uma pessoa que nem sabe escrever direito saberia o significado da palavra amor foi o meu erro. Hoje admito.
Mas as pessoas acham que o amor deixa todo mundo burro. Acorda mulher, antes de falar em maturidade faça uma breve auto-análise de como você tratou quem amava durante esse tempo todo e depois sim, podemos falar sobre as minhas culpas nesse caso. Mas por enquanto estou muito ocupada sofrendo por motivos que não tem nada a ver com você e muito menos com ela.
Se quiser puxa uma cadeira aí, podemos falar de família, de poemas, de qualquer coisa que tivermos em comum ou se quiser desabafar, fica a vontade. Se não  tudo bem, pra mim não faz diferença alguma. Continue aí colocando a culpa nos outros quando a maior culpada dessa história toda é você mesma. E apenas um último pedido, tente controlar melhor esse ímpeto de querer chamar a minha atenção cada vez que nos encontramos, se você sentisse o que eu sinto ao ver essa cena, provavelmente não conseguiria segurar essa vontade enorme de vomitar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Então tá...




Cansei de ser essa outra parte de mim. Essa cheia de princípios e que por ser assim, logo se decepciona com os outros porque acha que todo mundo é igual. Assumo esse outro lado que muitas vezes me coloca em perigo. Assumo os riscos de ser eu mesma e deixo todos os medos de lado. Não irei justificar o meu ciúmes sem cabimento, não darei satisfações e me recuso a responder perguntas do tipo: "Você gostou? Você quer? Você vem?" Não sei! E porque não quero saber, não estou a procura das respostas.
As coisas certas perderam a graça e as incertas não me cabem. Quero o que é passível de mudanças, ou o que simplesmente não se pode definir.  Cansei das definições, descobri que elas causam grandes decepções porque as pessoas mentem com muita facilidade. Eu quero conversas longas, risos frouxos, grandes amores e muito sexo. Quero poder falar "Pra quem você tá olhando?" se sentir vontade, mas também pode ser que eu não atenda ao telefone no dia seguinte. Quem sabe um dia alguém me mostre que ser emocionalmente íntegro nessa vida vale de alguma coisa e eu volte a me preocupar com os outros.
Enquanto isso serei encantadoramente livre, porque ser livre de certa forma é encantador. Vou te amar profundamente até chegar a hora de juntar as minhas roupas no chão. Farei juras de amor que durarão a eternidade de uma noite, ou duas quem sabe. Eu não me importo mais, mas essa é a última vez que eu digo isso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Reboco.



Foi um ato praticamente infantil; me presentear com um pedaço do reboco que caía da parede. Aquele sorriso envergonhado com a mão estendida em minha direção me fez sorrir também. Talvez você nem saiba que por muito tempo fiquei presa em um mundo sem essas felicidades bobas, sem esses sorrisos abertos e essa leveza que você, assim como eu, também carrega.
Houve um momento em que pensei que havia me deixado envelhecer. Que seria tão amarga e superficial quanto a maioria dessas pessoas infelizes. Mas não, eu só tinha guardado no fundo de mim aquela menina pra alguém que merecesse. E você merece tudo de mim. Então, se por algum motivo me ver correndo apenas de calcinha no teu corredor, gritando como se suas cócegas fossem uma tortura medieval ou até me pendurando no teu pescoço enquanto peço carinho, por favor não pense que sou louca ou imatura. É só felicidade de me sentir admirada por alguém que me conhece por inteiro. E veja só... eu escrevendo sobre felicidade. O crédito é todo seu. Vê seu nome ali? Ali, no meio de todas essas entrelinhas acompanhado por outra palavra que diz: "obrigada".

domingo, 28 de outubro de 2012

Escritora.


Gargalhadas soavam. O grupo de amigos parecia se divertir enquanto acumulava garrafas em cima da mesa. Um casal e seus dois filhos se esforçavam para sobreviver a um jantar em família. Um dos meninos usava fones de ouvido e mantinha os olhos fixos no celular enquanto o  outro parecia contar estrelas no teto do restaurante.
Ela observava tudo e todos que ali estavam. Eles passavam a se tornar personagens de histórias que só existiam em sua cabeça. Pensava em como seria bom estar no lugar de um daqueles amigos que se divertia após um dia longo de serviço, ou até mesmo do filho do casal que provavelmente pensava no quanto seus pais eram patéticos de fingirem ainda ser um casal. - Um casal -  ela deixou escapar em voz alta. Pela primeira vez naquela noite ela recebeu um olhar, ouviu um movimento que chegou rompendo com o silêncio da imobilidade em que os dois se encontravam. Chorou baixinho deixando escapar as lágrimas que a tanto tempo estavam sendo trancadas.
Ele começou a falar mas ela não conseguia entender, ou talvez descartasse aquelas palavras  porque não mais importava. O que importava era aquela dor que ela sentia agora e que havia feito com que ela voltasse bruscamente ao mundo real. O que realmente importava era que  havia abandonado a própria felicidade a muito tempo. Era por esse motivo que criava histórias e personagens para onde pudesse fugir e se esconder da dor.
Nos olhos dela lágrimas, nos dele uma mistura de irritação com indiferença. Levantou, pegou a bolsa e saiu pela porta do restaurante. Na cabeça a única ideia que lhe acompanhava era de como seria feliz se ele simplesmente viesse correndo naquele momento. De como iria sorrir e chorar e ser feliz se ele a abraçasse bem forte, e repetisse novamente o quanto eles eram bobos e os dois sorrissem por causa disso.
Estava frio e a chuva molhava a calçada. Ele não foi resgatá-la, e o celular também não tocou. A partir desse dia mais um personagem foi criado. O personagem que nunca teria deixado ela ir embora, o personagem pelo qual ela seria eternamente apaixonada e com quem criava cenas em sua cabeça todos os dias antes de dormir.

As nossas dores.



Eu sei que parece que quando passar vai parar de doer, mas não para. Ver que você teve exito em matar um amor tão intenso também dói, mas é preciso. Esse amor pode ser forte, puro, lindo, único, eterno, se não for correspondido não passa de excesso de bagagem. Então a gente acaba sufocando ele no peito, e junto acaba por sufocar um pouco da gente também. E tudo bem, acordamos mais fortes e livres. Liberdade de se guardar só amores bonitos no peito, de levar com a gente só quem não larga a nossa mão na hora que a gente precisa, de esperar por quem te diga "eu te amo" todos os dias porque você não merece nada menos do que isso. E aí talvez você possa sofrer de novo, porque amar sempre dói.
Então senta aqui comigo e deixa o choro pra depois. A vida passa rápido e a gente tem que ter pressa menina. Se quiser pode ficar em silêncio mas junta a tua dor com a minha. Quem sabe assim a gente não inventa uma pra nós duas.

sábado, 20 de outubro de 2012

Vazia.



Então vai! Some por completo . Me xinga, me odeia, fala do quanto eu sou insegura e de como te irrito quando fico agindo como uma menina assustada. Fala da minha falsa prepotência, da minha falta de limite, do meu tom de voz arrogante. Me deixa de lado e me esquece de uma vez, porque nós duas sabemos que é isso que você tem que fazer.
Mas não, você faz tudo errado. Acha divertido quando eu encho a cara e fico até amanhecer dançando no meio da tua sala. E quando eu te provoco (porque eu sou idiota e arrogante o suficiente pra isso) ao invés de retrucar, você respira, conta até dez e deixa pra lá, depois ainda tira sarro da minha cara me fazendo rir. Quando eu preciso de carinho você me oferece seu colo, quando eu choro na sua frente você me abraça apertado. Tudo errado! Eu quero agir da maneira certa mas você não deixa!
Eu sei que não deveria ter te olhado e muito menos te beijado. Mas o que eu poderia fazer se em meio a tanta gente naquela festa, você é a única com quem eu poderia ficar em silêncio e descansar desse peso que eu carrego. Tudo porque você já não precisa das minhas palavras, é capaz de decifrar o meu silêncio.
Apenas me olha mais uma vez, tão profundamente quanto tantas vezes já te vi me olhar. Vê que sou só metade? E uma metade tão machucada, tão dolorida. Você não, ainda carrega esse sorriso enorme e sincero que te deixa tão bonita.
Não deixa que eu te tire esse sorriso, foge de mim antes que você perceba que eu não tenho absolutamente nada pra te oferecer. Vai embora porque eu sei que se fores agora, levarás contigo apenas a imagem da menina que dançava na tua sala.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Da série "Escritos de gaveta": Texto 2


O cheiro toma conta da casa. Saio para o quintal e vejo em cima do balcão, ao lado do tanque, os corpos jogados. Olhos estalados e sem brilho. Fecho os meus olhos e devagar vou esticando o braço para tocar assim, com a pontinha do dedo. Duro e morno. Corro de volta para dentro de casa, mas o cheiro ainda está lá e isso me angustia. Cheiro de coisa morta já à algum tempo, de pena molhada, de carne podre.
 Ele passa por mim com um sorriso de satisfação e uma faca enorme nas mãos dizendo "Teremos marreco para o almoço!". Perco o apetite.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Da série "Escritos de gaveta": Texto 1.


 É sempre assim, enquanto saboreio meu café e meu cigarro, que aproveito para escrever sobre alguma coisa. Hoje, ainda não sei porque, mas desde o momento em que me levantei da cama você não me saiu da cabeça. Mesmo enquanto eu brincava com o meu cachorro e depois enquanto assistia ao meu filme favorito, era como se você estivesse ali. Lembra das tardes em que simplesmente fugíamos do mundo para nos refugiarmos no sofá da minha sala? E ficávamos ali, assistindo a um filme qualquer abraçadas, em silêncio, tentando sentir nossas respirações.
 Sabe, as vezes você me perguntava "Você está bem acomodada?" e eu respondia que sim, mesmo morrendo de dor no pescoço. É que eu tinha medo de que um movimento fizesse com que seu corpo se afastasse do meu. Como eu era boba por você! Eu fazia as piadas mais idiotas, os comentários mais bobos e depois, morria de vergonha. Você sorria desse jeito gracioso e isso bastava para que eu me sentisse bem novamente. Naquelas tardes enquanto você falava com esse seu jeito engraçado e jogava video-game  sem piscar os olhos eu dizia pra mim mesma que o tempo poderia parar ali e que eu morreria feliz apenas por ter visto a sua expressão.
 Mas eu não morri ali, e o tempo parece que fez questão de correr e eu nem percebi naquela época. A parte trágica de tudo isso é que você nunca foi minha de verdade. As tardes, os dias, tudo tinha hora certa pra acabar. E quando acabava eu chorava, e depois você voltava e eu sorria. Eu fazia força para abrir as mãos e te deixar voar, porque eu nada podia fazer para que você ficasse. E então você ia, levando junto a minha felicidade.
 Um dia você veio após alguns anos de tardes monitoradas pelo relógio e disse que nunca mais ia voltar. Eu não chorei porque simplesmente tinha me acostumado a perder você ao final das nossas tardes. De fato senti uma espécie de alívio, porque eu sabia que quando você fosse embora, levaria o resto de sensibilidade que ainda me restava. Eu não morri em uma daquelas tardes. Você me matou pouco a pouco com cada partida sua, com cada festa que eu frequentava, cada bebida que eu tomava e cada pessoa que eu transava só pra não lembrar de você.
 Você ainda me surge de vez em quando em meio a uma noite de frio ou a um filme assistido sem companhia, mas logo vai embora exatamente como fazia ao final das nossas tardes. Sabe... as vezes eu choro um pouquinho sim, só por não ter morrido em uma tarde de frio enquanto pousava a cabeça no teu peito. Assim, ao menos uma vez eu não precisaria te ver ir embora.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cicatriz.



Se é mesmo inevitável que exista, se não é possível que tudo isso seja afogado no meu peito e apagado da minha mente, então que seja . Mas que não trave meu sorriso e que não tranque a porta de entrada pro meu coração. Se realmente não tem jeito então que esse amor não faça muito barulho aqui dentro e que não invente de transbordar pelo olho cada vez que for lembrado. Que me permita sorrir e seguir em frente, que provoque saudade mas que essa saudade não faça com que eu queira reviver tudo novamente.
Que seja tão imperceptível que um dia deixe de existir desaparecendo tão silenciosamente quanto chegou. Sei me adapatar as situações, mas não a esse sentimento doloroso que quase me faz desistir de tudo quando na verdade, eu deveria estar comemorando entre fogos de artifício e sorrisos frouxos. Ganhei o maior prêmio que você seria capaz de dar a alguém; a sua ausência.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Double face



Já é tarde, e o relógio me tortura com seus números. Mas eu preciso, antes de fechar os olhos, preciso disso. Talvez seja o barulho frenético do teclado ou a luz da tela que me faz ter sono. Talvez por isso meus textos mais sinceros sejam escritos nesse horário... mas isso realmente não tem importância alguma. Tão pouco tem importância o que eu digo, o que eu penso ou o que escrevo. Já fui mais interessante. Hoje sou esse amontoado de palavras escritas em um blog ou mais banalmente, sou meus cabelos loiros e olhos pretos.  Passei a ser o que eu digo, e  fui tão convincente que eu mesma acreditei. Aonde me perdi? Em que vírgula, sujeito ou ponto final eu deixei de existir?
Quer saber de mim, procure nas entrelinhas, ou melhor, em qualquer lugar menos no sentido exato de minhas palavras. Sempre fui adepta das metáforas e não vejo como ser diferente. Minha convicção aparente e meu tom de voz simulam uma acertividade que eu não possuo e me servem de disfarce. "Você não sabe quem eu sou" repito internamente enquanto olho no fundo dos seus olhos tentando entender porque você ainda está aqui. Se soubesse talvez não ficaria... ou sabe e por isso ainda não foi embora. Então gosto de pensar que está tudo bem, quando na verdade tem uma bagunça enorme aqui dentro que ninguém é capaz de arrumar.
Quem sabe se eu tentar sozinha, primeiramente colocando as coisas nos lugares de onde eu tirei. Quem sabe se eu organizar a bagunça desse furacão que eu mesma provoquei por aqui... só assim talvez eu deixe essa necessidade de escrever, essa mania de falar demais, essa compulsão por tentar me descrever quando na verdade eu já nem sei quem eu sou.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Promisses




Foi em meio a uma caminhada sem destino que parei para observar aquele banco de praça vazio. Todos passavam apressados diante dele, enquanto seguravam seus guarda chuvas e seguiam seus caminhos ignorando detalhes da paisagem.
Eu sentei, não porque costumo sentar em bancos de praça enquanto deixo a chuva escorrer no meu rosto, mas porque eu precisava cumprir uma promessa. Talvez você nem lembre ou mais provavelmente nunca tenha entendido o que, tantas vezes eu quis dizer. Eu repeti no teu ouvido todas as vezes que ficamos em silêncio assim como escrevi em cartas, emails e bilhetinhos enviados durante uma aula; "Como você me dói de vez em quando". Aqui estava a minha promessa. "Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça...". Então eu chorei, ali sentada enquanto todos fugiam da chuva e eu tentava fugir das promessas que não poderiam mais ser cumpridas. Percebi que talvez você nem lesse Caio Fernando de Abreu ou achasse que minhas palavras eram apenas palavras de uma jovem sonhadora. Deixei que a chuva diluísse minha promessa e carregasse para o solo a tua lembrança. Só assim eu iria deixar de querer te dizer "tanta, mas tanta coisa...".

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Agnes.




O sol entrava pela janela do quarto. Os raios atingiam nossos seios e coxas enquanto ela sorria e acidentalmente, balançava os cabelos Lisos. O sorriso estampado no rosto disfarçando as perguntas que eu insistia em fazer, era simpático e gostoso de ouvir mas era também o anúncio de algo que eu temia que fosse dito.
Ela se levantou e colocou a ponta do pé na minha barriga, com a leveza e habilidade de uma bailarina, enquanto olhava séria e profundamente nos meus olhos:
- Vê aonde você está agora? De baixo do meu pé. É assim que vai ser hoje e sempre, não porque eu escolhi assim ou porque você gosta de ser dominada, mas o destino quer assim.
Ela não sorriu ao final da declaração. Apenas continou a fitar meu rosto com o olhar fixo e uma expressão que evidenciava o quanto ela me conhecia e o quanto se irritava por isso.
- Você não cansa de ser tão simples, tão pura, tão transparente?
- Tão previsível você quer dizer.
- Nao, previsível não, você é inteligente demais para ser previsível. Mas você não se cansa de se mostrar, de se virar do avesso? Você não tem enigmas. Posso dizer que te conheço como a palma da minha mão ou até melhor do que isso.
Engoli minhas palavras. Como sempre ela conseguia com uma única frase bombardear todas as minhas idéias. Só então ela sorria, quando via minhas forças, minhas voz e minha personalidade abafadas pelos furacões que ela provocava pelo simples prazer de me ver perdida. E quando eu me reinventava, resolvia mudar o jogo e me transformar em uma mulher mais forte, mais firme e por vezes até cruel, ela chorava. Chorava como uma menina implorando por um colo seguro. Se desestruturava e gritava amor aos quatro ventos e novamente me tinha de baixo dos seus pés, limpando suas lágrimas, deitando-a no colo e protegendo como se ela realmente fosse indefesa.
Ela mora no meu espelho e em algum lugar bem escondido dentro de mim. Sinto falta dessa inconsequência e dessa coragem que só ela tem de se jogar do mais alto penhasco e sempre se manter no controle da situação. Ao mesmo tempo que sinto por todos aqueles que, um dia, ela fez questão de que estivessem debaixo dos seus pés.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Aquele beijo.



Ela esticou a mão esguia e delicada em direção a mesa enquanto falava alguma banalidade. Ou talvez nem fosse algo tão banal assim, mas o movimento daquelas mãos me fez esquecer a conversa. Ela sorriu me olhando firme enquanto continuava a pronunciar palavras como se soubesse do poder da própria voz, enquanto eu, me esforçava para acompanhar a conversa.
Foi aí que eu parei, nesse exato momento. Depois de tanto andar em círculos e transitar por uma realidade impalpável, alguem me trazia novamente ao solo firme. Era inevitável que o medo tomasse conta de mim afinal, passei tanto tempo fugindo do chão que não mais suportava  o peso da minha existência.
É de sorrisos que ela me mantém, de olhares carinhosos e toques ardentes. De promessas que talvez não se cumpram mas que fazem sentido apenas por serem mencionadas. "É sobre amor?" Ela me pergunta. Eu digo que não sei, fujo, me encolho, me guardo e também me pergunto, o tempo todo "É sobre amor?". De uma coisa eu sei; é sobre ser feliz, é sobre querer bem. Deixe que os fatos se encarreguem de responder o que eu não consigo, talvez tenha me restado pouca voz na garganta. Mas se quizer mesmo saber, ela me fez descobrir que meu coração ainda é capaz de bater... e de sentir.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Junkie



Abro os olhos por costume. É engraçado dizer que o costume nos acompanha até durante o sono, porque seria diferente durante um sonho? Passei a chamar o nosso amor de hábito. Coloquei ele ao lado dos maus costumes dividindo espaço com a minha falta de moderação na bebida e o meu péssimo hábito de nunca acordar sorrindo.
Sou uma viciada e você sabe disso. Sempre fui adicta das coisas mais banais, e você chegou com toda sua banalidade prometendo-me a pior derrota da minha vida, era inevitável que eu te amasse. Um dia percebi que há semanas não bebia e que havia soltado alguns sorrisos contidos ao abrir os olhos demanhã. Percebi também que não te amava mais, nem por costume, nem por vaidade, nem por nenhum outro motivo. Foi uma recuperação lenta onde te vi evaporar dolorosamente por cada poro da minha pele deixando uma grande cicatriz que a cada dia que passa se torna mais imperceptível.
Não fique triste, não deixei de ser fraca como você sempre admirou, apenas vou substituindo meus vícios quando canso deles, por exemplo: hoje eu tenho o costume de ser feliz.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Seja sempre assim.




Ainda existirão dias de chuva eu sei, mas aprendi a sorrir com o rosto molhado. No fim já não sei falar sobre a sinceridade do meu sorriso  porque deixei de olhar pra dentro pra me perguntar sobre isso. Me concentro no sol que sempre vem depois da chuva. Ele surge assim, metade bobo metade sério como se viesse de algum lugar escuro mas fizesse questão de brilhar pra mim. Me jogo nos braços quentes do sol e deixo que ele me conduza com seus raios, numa espécie de dança de mentiras que por serem repetidas, passam a se tornar verdades.
Eu já não quero mais viver sem o sol, seu sorriso engraçado, sua preguiça matinal e seu calor confortante. Quero dizer mil coisas ao mesmo tempo que quero ficar em silêncio ao seu lado temendo que ele possa me descobrir. Só peço a nuvem carregada que vá fazer chover bem longe daqui e ao sol, que se possível, me acorde com seu sorriso todas as manhãs daqui pra frente.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Dama de preto.



Ela é movida por uma inquietação constante. O clichê diria ser coisa de artista mas ela prefere dizer que é apenas uma questão de personalidade. Engraçado é vê-la a procura de uma leveza que não condiz com o que a faz feliz, por uma paz que no fundo nunca soube admirar. Vive em um mar de dúvidas que a acompanham todos os dias a cada passo em direção ao futuro. Uma infinidade de possibilidades no horizonte e no peito algumas cicatrizes e sentimentos que nascem e se fortalecem a cada dia.
Se quizer saber sobre ela, não faça perguntas esperando uma resposta concreta. Se quizer fazer a diferença, faça-a sentir ao invés de pensar. Seu erro é querer respostas de alguém que vive formulando perguntas. Sinta o tempo todo, mostre sua coragem, vire-se do avesso, e tenha medo... sempre tenha medo.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Senhorita Nada.



Eu percebi logo no primeiro encontro, no primeiro beijo, na primeira noite; eu já não era mais a mesma. Precisava de um tempo para descobrir quem era essa pessoa que eu havia me tornado. O mais difícil era ver o pedido silencioso dos olhos dela para que eu me deixasse levar, para que demonstrasse toda aquela alegria que ela confiava existir em mim. Quem dera ela soubesse que eu perdi minha vida por aí e nunca mais consegui achar, que respiro para que os outros possam ser felizes.
Se dependesse do amor para me preencher eu estaria vazia. Mas as dores são plenamente capazes de nos preencher então eu continuo com os pés fincados no chão. As vezes me solto pelo ar quando encontro uma válvula de escape com algum amigo que já não sabe voltar ao solo firme. E depois? Bem, volto a ter raízes dolorosas e a me perguntar em que lugar eu perdi a minha vida. Assim, posso olhá-la novamente nos olhos e não sentir nada. Mas eu queria te dizer menina que se, quem sabe por ironia do destino, você encontrar minha vida jogada por aí, mergulhe de cabeça e remexa todo o interior dela. Espalhe alguns sorrisos e algumas esperanças e pinte a rotina com as cores que você preferir,  e depois procure bem... no meio disso talvez você encontre a minha alegria.

domingo, 20 de maio de 2012

Acabou



Eu poderia ter ultrapassado toda aquela barreira de pessoas que nos distanciavam e ter ido até você. Poderia ter te pego pelas mãos, olhado nos seus olhos e ter te abraçado por tanto tempo que meu perfume te traria lembranças. Poderia ter me ajoelhado a seus pés e dito que você é a mulher da minha vida porque isso não seria uma mentira. Mas então eu lembrei de mim sabe? Me esqueci durante todo o tempo que estivemos juntas. Esqueci do que eu queria no futuro e acabei deixando no passado a pessoa que eu era. Porque o seu rosto no meu sonho me fazia acordar sorrindo todos os dias. Era pelos seus problemas que eu tentava ser forte, era pelas suas lágrimas que eu pedia um dia ensolorado.
E então você me disse que as pessoas crescem e deixam de sentir. Eu chorei, um pranto que meu coração ainda sente. Talvez porque descobri  a realidade do amor, talvez porque você tenha acabado com a minha inocência, na verdade tanto faz. O fato é que todas as vezes que estivermos no mesmo local eu irei fazer o mesmo movimento que sempre terminará no ponto de partida. Eu aprendi a gostar mais de mim e menos de você. Devo ser digna da sua admiração agora?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pela metade



Não me pergunte por que ainda choro, estou cansada de lembrar os motivos. É só tristeza afinal, não há porque se preocupar. Há se soubessem o que é sorrir com todo o corpo, estremecer ao simples toque de outra pele, querer parar o relógio a cada beijo trocado. Se soubessem o que é acordar todos os dias querendo ir dormir de novo, correr para olhar os e-mails, o celular, a secretária eletrônica e lembrar que vai doer quando constatar mais uma vez que não há nada lá. Se soubessem, entenderiam?
Dizem que sou apenas mais uma. As vezes me pergunto se acredito nessas tristezas que não transbordam o olho, nesses amores sem borboletas no estômago, nessa força de lutar contra o inevitável. Vida que não se vive por inteiro, continua sendo vida? Se me ensinarem a ser metade talvez eu possa sorrir de novo. Enquanto isso me deixem só e entendam que eu cansei de acordar todos os dias e não ver um motivo para continuar de olhos abertos. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Dente de leão



Sorria menina, mesmo que seja aquele sorriso que se esconde assim que você desvia o olhar. Não seja boba, não queira crescer nem parecer madura apenas para me impressionar, não é preciso. Se fosse falar de nós falaria de paz, de leveza, de fé.  Quantos passos mais daremos juntas? Quem sabe, o que sabemos é que não somos mais sozinhas para seguir em frente. Você pegou meu coração nas mãos com toda delicadeza e a cada dia que passa, tenta juntar com cuidado os pedaços que haviam se espalhado por aí. Não tenha medo flor, eu já não sinto mais.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sem saída.


A muito tempo já não pertencia a aquele lugar, e se ainda permanecia ali era pelo medo de não ser inteira lá fora. Era como se metade de suas raízes fossem tão profundas que a outra metade não seria forte o suficiente pra se manter sozinha. Na mente tantas idéias, no coração tantas dores e tudo isso a levava a uma completa estagnação. Sabia muito bem ser livre, aliás sempre havia sido. Só nao sabia viver sem coração, e era por esse motivo que ela apenas sonhava em bater as asas. Não há nada que se possa fazer por um coração com tantas raízes.

Nova vida.



Quando ouviu a porta da frente se fechando sorriu. Pela primeira vez não queria se emocionar e sair por aí contando sobre um novo amor que talvez ainda nem existisse. Não tinha mais o coração como um ponto de interceção, queria mante-lo assim, como um local de passagem. Pôde sorrir pela manhã, pôde acender o cigarro e curtir o vazio da casa que de vazia já não tinha nada. Era  preenchida por ela, por suas coisas e por todas as esperanças que aquela manhã trazia através da janela com seus raios de sol.
Um novo cheiro, ainda desconhecido e inexplorado no travesseiro ao lado do seu,  se espalhava pelo ar trazendo boas notícias. A musica ao fundo parecia querer reforçar o recado dos raios de sol; "children don't stop dancing, believe in life". Ela sorriu e quem sabe até tenha voltado a acreditar.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Liberdade.


Tinha consciência de que nenhum milagre havia acontecido naquele dia. Continuava a mesma das ultimas semanas; dolorida, triste e solitária. Uma única diferença; ela realmente havia desistido. Desistiu das lágrimas, da tristeza, das noites sem dormir. Não era mais amor a muito tempo porque não se ama o vazio, as paredes, o silêncio absoluto. De todo amor que um dia existiu, esses eram os únicos vestígios que ainda habitavam o seu quarto. Então desistiu do passado e consequentemente, desistiu de sofrer. Foi só assim que ela deu o primeiro passo, e mal sabia que após esse, daria muitos outros ao encontro do seu sorriso frouxo perdido em meio a tantos escombros. Ela ainda era uma menina, só havia esquecido disso.

domingo, 6 de maio de 2012

Te espero



Vem! as cobertas estarão da mesma maneira de todas as manhãs e o meu rosto de sono também. Farei um café e depois fumaremos deitadas lado a lado, enquanto você admira nossos gestos que se repetem na mesma velocidade levando o cigarro até a boca e baixando as mãos delicadamente. Como a Cíntia e o Nando, lembra? Porque eu não me importava que você não fosse Anita comigo.
Não demora,  preciso de você para esquentar as minhas pernas e deixar a minha cama com seu cheiro. A manhã está tão fria e eu tenho tanta saudade! Seja Cíntia, Anita ou qualquer um de seus personagens. Destrua meu coração mais uma vez ou me engane novamente dizendo que sou o amor da sua vida, eu já não me importo mais. Apenas venha e deite-se na minha cama, como já fez tantas outras vezes. O travesseiro te espera todos os dias assim como eu. Me deixe fechar os olhos com você ao meu lado e se realmente resolver ir embora de novo, só te peço que não me acorde. Me deixe dormindo no mais profundo sono, eu ficarei bem se nunca mais acordar.

quinta-feira, 3 de maio de 2012


Difícil é não saber te contar sobre quem eu sou. Posso tentar dizer por onde ando, mas pergunte-me pela noite, antes do primeiro gole ou correrás o risco de não obter resposta nenhuma. Eu vejo pessoas caindo na minha teia, se entrelaçando nos meus cabelos até que eu eu as retire da melhor maneira que eu conseguir, tentando não machucar ninguém e ao mesmo tempo levar todos os meus fios comigo.
As luzes piscam, eu bebo e sou empurrada e alguém segura minha mão. Não segure minha mão! Não queira caminhar comigo porque certamente te abandonarei na metade do caminho. Excesso de bagagem entende? Minha mochila vem cheia de tanta coisa que eu não posso me ver livre. Me deixe sozinha ao final da noite, me deixe chorar até dormir, me observe apenas de longe e fique em silêncio pra tentar escutar o que meu coração lhe conta sobre mim.

Café


Do tipo que pensa mais do que sente e quando se permite sentir chora de culpa. Cheia de exageros e passionalidades trancadas no peito, na voz, no olho que brilha mas não derrama uma única lágrima. Tão linda por dentro e se não fossem esses olhos, esse corpo, esse olhar, seria tão feia por fora. Forte e amarga como o café que ela toma. Talvez se eu tivesse deixado de colocar açucar no meu, quem sabe. Era doce demais pra ti.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Irmã.


Só nós, nossa música e a paisagem correndo na janela. Não precisamos de mais nada nem de mais ninguém, ou talvez a verdade seja bem o contrário disso mas falar assim nos faz sorrir. E se você sorrir eu vou sorrir também, e se você cantar eu toco pra te ouvir. Porque a gente se entende e se respeita como se tivéssemos nascido da mesma barriga. A estrada nos espera e sei que ao longo dela largaremos nossas dores e talvez algumas lágrimas. E tudo bem, ao final da rota sentiremos até saudades de sermos um pouco tristes. Vamos fugir por aí, quem sabe a gente se encontra.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A primeira vez que você me viu.



Senti a claridade do sol invadir o quarto e despertei. Quando abri os olhos pude te ver pelo espelho; os cabelos lisos caidos no rosto, as mãos esguias e finas se esticavam até a minha pele mantendo cuidado para não me acordar. Passava a mão pelos meus ombros, braços, quadris, pernas e voltava a olhar o meu rosto. Eu continuei te observando com os olhos quase fechados enquanto você repetia aquele movimento porque na verdade era eu quem estava te admirando.
Me movimentei e você se afastou, fingindo que aquele momento não havia acontecido. Talvez pra você realmente nunca tenha existido, mas eu sei o quão real ele foi e ainda é pra mim. Aquela foi a primeira vez que você me olhou totalmente nua, que me conheceu de verdade e o seu semblante deixava claro que estava realmente me vendo. Como eu poderia não te amar a partir daquele momento? Tão poucas pessoas conseguiram me enxergar assim.

sábado, 28 de abril de 2012

Cidade.


É cinza demais. O problema é que me vejo confortávelmente combinando com o cenário. Essa chuva fina que bate na janela do apartamento, representando o clichê que meus olhos adoram declarar por costume ao final de todas as noites. As luzes acesas nos postes acusando ser tarde demais. Sim, é tarde demais para voltar atrás mas também é tarde demais para seguir em frente. E a minha frente só tem a janela onde a chuva bate incessante e um infinito de luzes piscantes que nada prometem. São luzes tão vazias essas das ruas, das noites.

sábado, 21 de abril de 2012

Tua voz.

Mais uma manhã fria e algumas lágrimas que já não se atrevem a transbordar o olho. Mais um dia de saudade, mas é só mais um. Não quero lembrar então nem sei porque ainda escrevo. É que eu te vi ontem, ou melhor, soube que estavas ali. Derrubei uma lágrima (juro que foi só uma) enquanto escutava a tua voz, fechava os olhos e colocava a música no volume máximo. E como eu odiei a tua voz, essa voz anasalada de péssima articulação. Era como se ela cantasse todo meu sofrimento, invocando as lágrimas que eu deixei de derramar porque estava ocupada demais sorrindo com outra pessoa. Eu não quero dizer que te odeio, porque um dia eu disse isso no lugar do "eu te amo", lembra? Eu quero dizer que você me é indiferente, que eu só não te desprezo pelo simples fato que desprezo é um sentimento e você não merece nenhum que venha de mim. Eu quero dizer que te esqueci, eu quero muito dizer... e saber.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O meu amor.

Se é isso que pensa de mim, se realmente acha que não tenho sentimentos, porque enxugava todas as minhas lágrimas quando nos conhecemos? O fato de eu ter chorado no teu ombro te fez sentir dona dos meus sentimentos? Ou te fez pensar que eu era uma pessoa assim, tão vulnerável?
Entenda, tenho um coração cheio de amor, mas ele não se abre pra qualquer pessoa. Não pense que com meia duzia de presentes ou palavras você vai ganhar o seu espaço e muito menos pense que é você quem vai decidir a hora de entrar.
Não me controle e principalmente não tente controlar meu coração. Me sinto extremamente ameaçada quando alguém tenta controlar minhas atitudes e meus sentimentos, porque vivo o tempo inteiro tentando me deixar livre das minhas próprias racionalidades pra tentar ser feliz.
E é porisso que tenho os amores mais decadentes, mais improváveis, mais passionais mas acima de tudo, o amores mais sinceros que alguém pode ter. E como um amigo me disse um dia "Não se sinta especial por gostar de mim, se sinta especial se eu gostar de você".

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Passatempo.


Me afasto devagar e com bastante cuidado para que ela não acorde. O dia ainda não clareou mas o cheiro daquele cabelo perto do meu rosto me despertou do sono. Sinto o calor do corpo dela perto do meu, a expressão serena de quem tem o coração tranquilo e tudo isso me encomoda, me invade e me perturba de tal forma que eu preciso me afastar ainda mais. Sei qual caminho devo seguir e a porta da frente não saiu do lugar. Olho mais uma vez antes de sair, admiro a pele branca e lisa, o rosto delicado, os lábios cor de rosa enquanto ela suspira de maneira tão leve que me faz querer chorar. Desculpe, por favor, desculpe te fazer acordar sozinha mas eu não queria que você despertasse e ao olhar nos meus olhos, descobrisse que eu nunca estive aqui de verdade.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Saudade sem nome.




Olhando as nossas fotos, mesmo as que foram tiradas a pouco tempo atrás, eu não reconheço você. Todos os dias eu acordo e choro de saudade sua, antes de dormir repito o mesmo processo porque tenho medo de explodir se não fizer. E quando tento matar a saudade, porque quem sabe olhando as nossas fotos eu não mato um pouco da saudade e deixo de chorar pelo menos pela manhã, eu não te reconheço mais.
Seu rosto parece mais largo, seu sorriso parece menos sincero, seu olhar parece sempre estar distante em todas as fotografias. E não é assim que eu lembro de você. Nas minhas memórias eu podia me ver no fundo dos seus olhos, agarrar seu rosto macio com as duas mãos e escutar a sua risada que me fazia sentir a maior paz do mundo. O que aconteceu? O que está acontecendo? Eu gostaria que você estivesse aqui pra me garantir que eu não sonhei, que eu vivi esse amor mas que ele acabou porque histórias de amor sempre acabam. Ou pra me dizer outra bobagem qualquer porque a verdade é que eu acreditaria em qualquer coisa que você me dissesse agora.
Eu não sei quem é aquela pessoa nas fotografias, mas odeio a forma como ela me agarra e me beija, e me olha e me faz ver coisas que eu não conseguia ver em você.

Amor pensado.

Engraçado perceber que tem um tipo de amor que está em alta no momento: o amor pensado. Culpa da sociedade, da evolução ou do seu Zé da padaria? Talvez dos três, de um ou de nenhum isso pouco importa. O que realmente importa são as ditas pessoas que "exibem" seu amor pensado como um troféu em forma de cérebro.
O amor pensado seria aquele amor racional mais ou menos assim: "Vou te amar das 16h as 20h. Das 22h as 24h eu esqueço você porque preciso de um tempo pra mim" ou então "Eu te amo porque gostamos de fazer as mesmas coisas, temos o mesmo nível de inteligência, formamos um casal bonito..." ou até "Eu te amo, mas não podemos ficar juntos porque a gente não combina". Enfim eu poderia citar milhões de outros exemplos. O fato é que, estamos falando de sentimento e sentimento (até onde a minha humilde ignorância me permite perceber) é algo que não se racionaliza pelo simples fato de que NÃO DÁ.
É difícil marcar hora com a saudade porque normalmente ela chega sem avisar. Não existe ter um tempo para si mesmo porque você sabe que só vai estar completo ao lado da pessa que você ama, por mais que não troquem nenhuma palavra durante horas. Você não ama alguém porque ele combina com você, e sim porque o felizardo(a) cruzou o seu caminho naquele dia e mecheu no cabelo do jeito que você gostou ou por qualquer outra banalidade. Quando você ama alguém, todos os motivos do mundo não são suficientes pra te fazer querer ficar 1h se quer longe dessa pessoa.
Não sera novidade se nesse momento você estiver me acusando de sonhadora/romântica, na verdade conheço minhas afinidades com esses termos e não tenho a menor pretensão de negar. Tenho intenção de criticar aqueles que me criticam. Tenho intenção de GRITAR nos ouvidos das pessoas que elas precisam assistir Cinderela, A Bela e a Fera, Branca de Neve e indispensávelmente o Pequeno Príncipe. Os que se dizem racionais, relutantes ao romantismo, pensem nessas leituras como a referência bibliográfica para entender como nascem os sentimentos e como eles morrem também.
E para aqueles que não quizerem entender, ou simplesmente não conseguirem (diga-se de passagem isso é um pouco triste) apenas tenham cuidado ao lidar com o coração de uma pessoa como eu. Pensem o que quizerem sobre o amor mas não esqueçam que algumas pessoas sentem ao invés de pensar. E lembre sempre daquela referência chamada O Pequeno Príncipe; "Tú te tornas esternamente responsável por aquilo que cativas"

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A pequena.


Tem algo de firme e delicado ao mesmo tempo. Ela discute o tempo todo porque sabe o quanto é preciso lutar para se manter inocente nesse mundo, nunca perdeu uma batalha. Fala alto e se impõe quando acha nescessário, sorri e entorta o pescoço quando fica envergonhada. E fica linda. Eu a observo de longe, sempre de longe porque tenho medo que minhas cores fortes e maquiagem pesada manchem seus vestidos floridos e seu sorriso sincero.
Ela tem fé, eu uso drogas. Ela anda de bicicleta e não esquece de prestar a atenção no vento soprando nos seus cabelos porque se sente em paz com isso. Eu procuro a paz de alguém pra substituir a de outro alguém e assim por diante, todas as madrugadas. Vejo na Sam a inocência que a San me tirou, e volto a procurar a paz em um terceiro "S" talvez.
Sei que devo me manter assim, observando-a de longe sem interferir nas suas cores claras. E como gosto de vê-la enfeitando tudo ao redor! Me faz lembrar de quando eu era uma flor.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A Medrosa

Já faz algum tempo que não escrevo e toda vez que abro o bloco de notas me pergunto se não tenho nada a escrever ou se tenho medo do que meus dedos podem digitar.
Crise? E se for? Em qual momento eu esqueci que as teclas do computador e o bloco de notas não criticam essa personalidade fatídicamente passional que eu escondo aqui dentro? Eu me odeio! Me odeio como uma adolescente que queria ter seios maiores e menos acne no rosto. Me odeio como uma puta que se apaixona por um cliente casado. Eu não sei mais como seguir adiante, e não ter uma voz pra me dizer que posso ficar tranquila, me apavora demais. Medo de ficar sozinha, em todos os sentidos. Medo de não ter pra quem ligar, medo de não ter ninguém pra me fazer rir quando eu quizer chorar, medo de não ter motivo pra voltar pra casa depois de um dia longo de baboseiras profissionais. Eu tenho tanto medo! É como se eu soubesse que ninguém tem a capacidade de me aturar, porque nem eu mesma consigo.

Recomposição?

É tanta coisa pra aprender assim, tão derrepente. Preciso aprender a ser forte, a ficar e me manter sozinha, a fingir que estou bem quando na verdade eu morro um pouquinho a cada dia. Preciso aprender a sorrir normalmente quando na verdade não acho graça em mais nada. Mas e daí, não é? Quem se importa? Quem quer saber das minhas dores, do meu estado interior? As pessoas querem apenas olhar o meu rosto e ver um sorriso qualquer pra que o dia delas continue bom. Eu já cansei de escutar as mesmas frases: "já chega, tú tá fazendo drama" "tú precisa te ajudar" "tá na hora de superar" "as tuas obrigações devem ser colocadas na frente dos teus sentimentos". Ok eu digo, tudo bem.
Então eu percebi que é assim que as pessoas começam a se tornar robôs que fazem parte dessa engrenagem hipócrita. As pessoas me olham hoje e dizem "Há você está muito melhor agora do que na primeira semana!" e eu digo: "Lógico!". Mentira! A dor ainda é a mesma, a ferida ainda está tão aberta quanto na primeira semana. A diferença é que eu vivo trancando o choro, fingindo que apenas não tenho o que dizer quando na verdade eu nem estou ali, fingindo achar graça enquanto forço os cantos da minha boca para que formem um sorriso que eu já nem me importo se é sincero ou não.
Eu vejo tudo isso acontecendo e a única coisa que eu consigo pensar é "Que pena! Eu fui tão bonita um dia."

sábado, 24 de março de 2012

Carta para minha namorada.

S - Sentiu a minha falta?
C - Um pouquinho... um pouquinho o tempo todo.

E quem não sabe, não é? Afinal, sempre fui desse tipinho de não ficar contendo o choro ou deixando de "fazer drama" como vc mesma falou. É que se eu estou triste eu choro, se estou feliz eu dou risada, se sinto saudades eu ligo. Mas eu não te ligaria, provavelmente você não atenderia o telefone, ou me chamaria de dramatica novamente. Quando se está no fundo do poço é sempre melhor não arriscar entrar ainda mais fundo.
Então eu escrevo, mesmo sabendo que provavelmente você não leia ou não passe da primeira frase, mas tudo bem porque eu realmente preciso disso, preciso pra matar a saudade. Sinto que só o fato de escrever o endereço do teu e-mail vai me fazer sentir melhor, como se ainda estivéssemos juntas e eu estivesse te enviando mais uma canção qualquer, um poema do Caio Fernando sobre "... como você me dói de vez em quando". É como se eu estivesse te mandando mensagem agora, dizendo que perdi o sono e perguntando se logo mais a noite tú vai ser só minha, colocando só um "sdd" no fim da mensagem pra não te fazer sentir pressionada pelo meu amor.
Mas não vou perguntar no final desse e-mail se logo mais a noite você será só minha, porque eu já sei a tua resposta, e não é da tua resposta que eu preciso. Eu precisava mesmo escrever pra minha namorada. Sim, desculpe se você pensou que esse e-mail era pra você, mas não é. Escrevo pra ela que talvez esteja escondida aí dentro dessa pessoa que eu não gosto, ou mais tragicamente como meu coração me diz que aconteceu; essa pessoa aí que a matou.
Eu encontro a minha namorada as vezes em sonhos. O diálogo que começa essa e-mail é de uma música que eu dediquei pra ela uma vez, mas também é o diálogo do último sonho que eu tive. Ela me puxava pelo braço, me arrancava do meio de todas aquelas pessoas que me rodeavam e me dizia, com o olho meio marejado pelo ciúme, que ali não era meu lugar. E eu me deixava levar por ela chorando não de tristeza, mas de alegria porque é como se ela tivesse me tirado do inferno pra me aconchegar de novo no seu peito, agarrar meu corpo todo e dizer "é tudo meu".
E era, e ainda é e eu sei que a minha namorada sabe disso, onde quer que ela esteja. Poderia se contar nesse texto quantas vezes eu escrevi "minha namorada". É... falar/escrever isso me lembra a emoção de poder chamá-la assim pela primeira vez. Mas ela foi embora, e não sei se um dia conseguirei não chorar porisso. Eu sei que a cada pedágio que eu passar, cada filme que eu assistir no meio da tarde, cada borboleta que voar perto de mim, cada vez que for ver a lua cheia na praia, eu vou lembrar dela.
Então meu amor, se ainda estiveres aí dentro sendo reprimida, apertada, calada ou mesmo se nunca tiveres existido, eu ainda te amo e também te odeio por você ter morrido e me deixado aqui sozinha. Talvez seja o único motivo pelo qual eu te odeio. E as vezes eu repito baixinho "San!", no meu quarto escuro enquanto me dou o direito de chorar, só pra poder escutar o teu nome mais um vez saindo da minha boca e pra que você saiba meu amor, aonde estiveres, que eu nunca te deixei.