segunda-feira, 30 de abril de 2012

A primeira vez que você me viu.



Senti a claridade do sol invadir o quarto e despertei. Quando abri os olhos pude te ver pelo espelho; os cabelos lisos caidos no rosto, as mãos esguias e finas se esticavam até a minha pele mantendo cuidado para não me acordar. Passava a mão pelos meus ombros, braços, quadris, pernas e voltava a olhar o meu rosto. Eu continuei te observando com os olhos quase fechados enquanto você repetia aquele movimento porque na verdade era eu quem estava te admirando.
Me movimentei e você se afastou, fingindo que aquele momento não havia acontecido. Talvez pra você realmente nunca tenha existido, mas eu sei o quão real ele foi e ainda é pra mim. Aquela foi a primeira vez que você me olhou totalmente nua, que me conheceu de verdade e o seu semblante deixava claro que estava realmente me vendo. Como eu poderia não te amar a partir daquele momento? Tão poucas pessoas conseguiram me enxergar assim.

sábado, 28 de abril de 2012

Cidade.


É cinza demais. O problema é que me vejo confortávelmente combinando com o cenário. Essa chuva fina que bate na janela do apartamento, representando o clichê que meus olhos adoram declarar por costume ao final de todas as noites. As luzes acesas nos postes acusando ser tarde demais. Sim, é tarde demais para voltar atrás mas também é tarde demais para seguir em frente. E a minha frente só tem a janela onde a chuva bate incessante e um infinito de luzes piscantes que nada prometem. São luzes tão vazias essas das ruas, das noites.

sábado, 21 de abril de 2012

Tua voz.

Mais uma manhã fria e algumas lágrimas que já não se atrevem a transbordar o olho. Mais um dia de saudade, mas é só mais um. Não quero lembrar então nem sei porque ainda escrevo. É que eu te vi ontem, ou melhor, soube que estavas ali. Derrubei uma lágrima (juro que foi só uma) enquanto escutava a tua voz, fechava os olhos e colocava a música no volume máximo. E como eu odiei a tua voz, essa voz anasalada de péssima articulação. Era como se ela cantasse todo meu sofrimento, invocando as lágrimas que eu deixei de derramar porque estava ocupada demais sorrindo com outra pessoa. Eu não quero dizer que te odeio, porque um dia eu disse isso no lugar do "eu te amo", lembra? Eu quero dizer que você me é indiferente, que eu só não te desprezo pelo simples fato que desprezo é um sentimento e você não merece nenhum que venha de mim. Eu quero dizer que te esqueci, eu quero muito dizer... e saber.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O meu amor.

Se é isso que pensa de mim, se realmente acha que não tenho sentimentos, porque enxugava todas as minhas lágrimas quando nos conhecemos? O fato de eu ter chorado no teu ombro te fez sentir dona dos meus sentimentos? Ou te fez pensar que eu era uma pessoa assim, tão vulnerável?
Entenda, tenho um coração cheio de amor, mas ele não se abre pra qualquer pessoa. Não pense que com meia duzia de presentes ou palavras você vai ganhar o seu espaço e muito menos pense que é você quem vai decidir a hora de entrar.
Não me controle e principalmente não tente controlar meu coração. Me sinto extremamente ameaçada quando alguém tenta controlar minhas atitudes e meus sentimentos, porque vivo o tempo inteiro tentando me deixar livre das minhas próprias racionalidades pra tentar ser feliz.
E é porisso que tenho os amores mais decadentes, mais improváveis, mais passionais mas acima de tudo, o amores mais sinceros que alguém pode ter. E como um amigo me disse um dia "Não se sinta especial por gostar de mim, se sinta especial se eu gostar de você".

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Passatempo.


Me afasto devagar e com bastante cuidado para que ela não acorde. O dia ainda não clareou mas o cheiro daquele cabelo perto do meu rosto me despertou do sono. Sinto o calor do corpo dela perto do meu, a expressão serena de quem tem o coração tranquilo e tudo isso me encomoda, me invade e me perturba de tal forma que eu preciso me afastar ainda mais. Sei qual caminho devo seguir e a porta da frente não saiu do lugar. Olho mais uma vez antes de sair, admiro a pele branca e lisa, o rosto delicado, os lábios cor de rosa enquanto ela suspira de maneira tão leve que me faz querer chorar. Desculpe, por favor, desculpe te fazer acordar sozinha mas eu não queria que você despertasse e ao olhar nos meus olhos, descobrisse que eu nunca estive aqui de verdade.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Saudade sem nome.




Olhando as nossas fotos, mesmo as que foram tiradas a pouco tempo atrás, eu não reconheço você. Todos os dias eu acordo e choro de saudade sua, antes de dormir repito o mesmo processo porque tenho medo de explodir se não fizer. E quando tento matar a saudade, porque quem sabe olhando as nossas fotos eu não mato um pouco da saudade e deixo de chorar pelo menos pela manhã, eu não te reconheço mais.
Seu rosto parece mais largo, seu sorriso parece menos sincero, seu olhar parece sempre estar distante em todas as fotografias. E não é assim que eu lembro de você. Nas minhas memórias eu podia me ver no fundo dos seus olhos, agarrar seu rosto macio com as duas mãos e escutar a sua risada que me fazia sentir a maior paz do mundo. O que aconteceu? O que está acontecendo? Eu gostaria que você estivesse aqui pra me garantir que eu não sonhei, que eu vivi esse amor mas que ele acabou porque histórias de amor sempre acabam. Ou pra me dizer outra bobagem qualquer porque a verdade é que eu acreditaria em qualquer coisa que você me dissesse agora.
Eu não sei quem é aquela pessoa nas fotografias, mas odeio a forma como ela me agarra e me beija, e me olha e me faz ver coisas que eu não conseguia ver em você.

Amor pensado.

Engraçado perceber que tem um tipo de amor que está em alta no momento: o amor pensado. Culpa da sociedade, da evolução ou do seu Zé da padaria? Talvez dos três, de um ou de nenhum isso pouco importa. O que realmente importa são as ditas pessoas que "exibem" seu amor pensado como um troféu em forma de cérebro.
O amor pensado seria aquele amor racional mais ou menos assim: "Vou te amar das 16h as 20h. Das 22h as 24h eu esqueço você porque preciso de um tempo pra mim" ou então "Eu te amo porque gostamos de fazer as mesmas coisas, temos o mesmo nível de inteligência, formamos um casal bonito..." ou até "Eu te amo, mas não podemos ficar juntos porque a gente não combina". Enfim eu poderia citar milhões de outros exemplos. O fato é que, estamos falando de sentimento e sentimento (até onde a minha humilde ignorância me permite perceber) é algo que não se racionaliza pelo simples fato de que NÃO DÁ.
É difícil marcar hora com a saudade porque normalmente ela chega sem avisar. Não existe ter um tempo para si mesmo porque você sabe que só vai estar completo ao lado da pessa que você ama, por mais que não troquem nenhuma palavra durante horas. Você não ama alguém porque ele combina com você, e sim porque o felizardo(a) cruzou o seu caminho naquele dia e mecheu no cabelo do jeito que você gostou ou por qualquer outra banalidade. Quando você ama alguém, todos os motivos do mundo não são suficientes pra te fazer querer ficar 1h se quer longe dessa pessoa.
Não sera novidade se nesse momento você estiver me acusando de sonhadora/romântica, na verdade conheço minhas afinidades com esses termos e não tenho a menor pretensão de negar. Tenho intenção de criticar aqueles que me criticam. Tenho intenção de GRITAR nos ouvidos das pessoas que elas precisam assistir Cinderela, A Bela e a Fera, Branca de Neve e indispensávelmente o Pequeno Príncipe. Os que se dizem racionais, relutantes ao romantismo, pensem nessas leituras como a referência bibliográfica para entender como nascem os sentimentos e como eles morrem também.
E para aqueles que não quizerem entender, ou simplesmente não conseguirem (diga-se de passagem isso é um pouco triste) apenas tenham cuidado ao lidar com o coração de uma pessoa como eu. Pensem o que quizerem sobre o amor mas não esqueçam que algumas pessoas sentem ao invés de pensar. E lembre sempre daquela referência chamada O Pequeno Príncipe; "Tú te tornas esternamente responsável por aquilo que cativas"

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A pequena.


Tem algo de firme e delicado ao mesmo tempo. Ela discute o tempo todo porque sabe o quanto é preciso lutar para se manter inocente nesse mundo, nunca perdeu uma batalha. Fala alto e se impõe quando acha nescessário, sorri e entorta o pescoço quando fica envergonhada. E fica linda. Eu a observo de longe, sempre de longe porque tenho medo que minhas cores fortes e maquiagem pesada manchem seus vestidos floridos e seu sorriso sincero.
Ela tem fé, eu uso drogas. Ela anda de bicicleta e não esquece de prestar a atenção no vento soprando nos seus cabelos porque se sente em paz com isso. Eu procuro a paz de alguém pra substituir a de outro alguém e assim por diante, todas as madrugadas. Vejo na Sam a inocência que a San me tirou, e volto a procurar a paz em um terceiro "S" talvez.
Sei que devo me manter assim, observando-a de longe sem interferir nas suas cores claras. E como gosto de vê-la enfeitando tudo ao redor! Me faz lembrar de quando eu era uma flor.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A Medrosa

Já faz algum tempo que não escrevo e toda vez que abro o bloco de notas me pergunto se não tenho nada a escrever ou se tenho medo do que meus dedos podem digitar.
Crise? E se for? Em qual momento eu esqueci que as teclas do computador e o bloco de notas não criticam essa personalidade fatídicamente passional que eu escondo aqui dentro? Eu me odeio! Me odeio como uma adolescente que queria ter seios maiores e menos acne no rosto. Me odeio como uma puta que se apaixona por um cliente casado. Eu não sei mais como seguir adiante, e não ter uma voz pra me dizer que posso ficar tranquila, me apavora demais. Medo de ficar sozinha, em todos os sentidos. Medo de não ter pra quem ligar, medo de não ter ninguém pra me fazer rir quando eu quizer chorar, medo de não ter motivo pra voltar pra casa depois de um dia longo de baboseiras profissionais. Eu tenho tanto medo! É como se eu soubesse que ninguém tem a capacidade de me aturar, porque nem eu mesma consigo.

Recomposição?

É tanta coisa pra aprender assim, tão derrepente. Preciso aprender a ser forte, a ficar e me manter sozinha, a fingir que estou bem quando na verdade eu morro um pouquinho a cada dia. Preciso aprender a sorrir normalmente quando na verdade não acho graça em mais nada. Mas e daí, não é? Quem se importa? Quem quer saber das minhas dores, do meu estado interior? As pessoas querem apenas olhar o meu rosto e ver um sorriso qualquer pra que o dia delas continue bom. Eu já cansei de escutar as mesmas frases: "já chega, tú tá fazendo drama" "tú precisa te ajudar" "tá na hora de superar" "as tuas obrigações devem ser colocadas na frente dos teus sentimentos". Ok eu digo, tudo bem.
Então eu percebi que é assim que as pessoas começam a se tornar robôs que fazem parte dessa engrenagem hipócrita. As pessoas me olham hoje e dizem "Há você está muito melhor agora do que na primeira semana!" e eu digo: "Lógico!". Mentira! A dor ainda é a mesma, a ferida ainda está tão aberta quanto na primeira semana. A diferença é que eu vivo trancando o choro, fingindo que apenas não tenho o que dizer quando na verdade eu nem estou ali, fingindo achar graça enquanto forço os cantos da minha boca para que formem um sorriso que eu já nem me importo se é sincero ou não.
Eu vejo tudo isso acontecendo e a única coisa que eu consigo pensar é "Que pena! Eu fui tão bonita um dia."