terça-feira, 17 de julho de 2012

Aquele beijo.



Ela esticou a mão esguia e delicada em direção a mesa enquanto falava alguma banalidade. Ou talvez nem fosse algo tão banal assim, mas o movimento daquelas mãos me fez esquecer a conversa. Ela sorriu me olhando firme enquanto continuava a pronunciar palavras como se soubesse do poder da própria voz, enquanto eu, me esforçava para acompanhar a conversa.
Foi aí que eu parei, nesse exato momento. Depois de tanto andar em círculos e transitar por uma realidade impalpável, alguem me trazia novamente ao solo firme. Era inevitável que o medo tomasse conta de mim afinal, passei tanto tempo fugindo do chão que não mais suportava  o peso da minha existência.
É de sorrisos que ela me mantém, de olhares carinhosos e toques ardentes. De promessas que talvez não se cumpram mas que fazem sentido apenas por serem mencionadas. "É sobre amor?" Ela me pergunta. Eu digo que não sei, fujo, me encolho, me guardo e também me pergunto, o tempo todo "É sobre amor?". De uma coisa eu sei; é sobre ser feliz, é sobre querer bem. Deixe que os fatos se encarreguem de responder o que eu não consigo, talvez tenha me restado pouca voz na garganta. Mas se quizer mesmo saber, ela me fez descobrir que meu coração ainda é capaz de bater... e de sentir.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Junkie



Abro os olhos por costume. É engraçado dizer que o costume nos acompanha até durante o sono, porque seria diferente durante um sonho? Passei a chamar o nosso amor de hábito. Coloquei ele ao lado dos maus costumes dividindo espaço com a minha falta de moderação na bebida e o meu péssimo hábito de nunca acordar sorrindo.
Sou uma viciada e você sabe disso. Sempre fui adicta das coisas mais banais, e você chegou com toda sua banalidade prometendo-me a pior derrota da minha vida, era inevitável que eu te amasse. Um dia percebi que há semanas não bebia e que havia soltado alguns sorrisos contidos ao abrir os olhos demanhã. Percebi também que não te amava mais, nem por costume, nem por vaidade, nem por nenhum outro motivo. Foi uma recuperação lenta onde te vi evaporar dolorosamente por cada poro da minha pele deixando uma grande cicatriz que a cada dia que passa se torna mais imperceptível.
Não fique triste, não deixei de ser fraca como você sempre admirou, apenas vou substituindo meus vícios quando canso deles, por exemplo: hoje eu tenho o costume de ser feliz.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Seja sempre assim.




Ainda existirão dias de chuva eu sei, mas aprendi a sorrir com o rosto molhado. No fim já não sei falar sobre a sinceridade do meu sorriso  porque deixei de olhar pra dentro pra me perguntar sobre isso. Me concentro no sol que sempre vem depois da chuva. Ele surge assim, metade bobo metade sério como se viesse de algum lugar escuro mas fizesse questão de brilhar pra mim. Me jogo nos braços quentes do sol e deixo que ele me conduza com seus raios, numa espécie de dança de mentiras que por serem repetidas, passam a se tornar verdades.
Eu já não quero mais viver sem o sol, seu sorriso engraçado, sua preguiça matinal e seu calor confortante. Quero dizer mil coisas ao mesmo tempo que quero ficar em silêncio ao seu lado temendo que ele possa me descobrir. Só peço a nuvem carregada que vá fazer chover bem longe daqui e ao sol, que se possível, me acorde com seu sorriso todas as manhãs daqui pra frente.