quarta-feira, 11 de julho de 2012

Junkie



Abro os olhos por costume. É engraçado dizer que o costume nos acompanha até durante o sono, porque seria diferente durante um sonho? Passei a chamar o nosso amor de hábito. Coloquei ele ao lado dos maus costumes dividindo espaço com a minha falta de moderação na bebida e o meu péssimo hábito de nunca acordar sorrindo.
Sou uma viciada e você sabe disso. Sempre fui adicta das coisas mais banais, e você chegou com toda sua banalidade prometendo-me a pior derrota da minha vida, era inevitável que eu te amasse. Um dia percebi que há semanas não bebia e que havia soltado alguns sorrisos contidos ao abrir os olhos demanhã. Percebi também que não te amava mais, nem por costume, nem por vaidade, nem por nenhum outro motivo. Foi uma recuperação lenta onde te vi evaporar dolorosamente por cada poro da minha pele deixando uma grande cicatriz que a cada dia que passa se torna mais imperceptível.
Não fique triste, não deixei de ser fraca como você sempre admirou, apenas vou substituindo meus vícios quando canso deles, por exemplo: hoje eu tenho o costume de ser feliz.

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