terça-feira, 7 de agosto de 2012

Agnes.




O sol entrava pela janela do quarto. Os raios atingiam nossos seios e coxas enquanto ela sorria e acidentalmente, balançava os cabelos Lisos. O sorriso estampado no rosto disfarçando as perguntas que eu insistia em fazer, era simpático e gostoso de ouvir mas era também o anúncio de algo que eu temia que fosse dito.
Ela se levantou e colocou a ponta do pé na minha barriga, com a leveza e habilidade de uma bailarina, enquanto olhava séria e profundamente nos meus olhos:
- Vê aonde você está agora? De baixo do meu pé. É assim que vai ser hoje e sempre, não porque eu escolhi assim ou porque você gosta de ser dominada, mas o destino quer assim.
Ela não sorriu ao final da declaração. Apenas continou a fitar meu rosto com o olhar fixo e uma expressão que evidenciava o quanto ela me conhecia e o quanto se irritava por isso.
- Você não cansa de ser tão simples, tão pura, tão transparente?
- Tão previsível você quer dizer.
- Nao, previsível não, você é inteligente demais para ser previsível. Mas você não se cansa de se mostrar, de se virar do avesso? Você não tem enigmas. Posso dizer que te conheço como a palma da minha mão ou até melhor do que isso.
Engoli minhas palavras. Como sempre ela conseguia com uma única frase bombardear todas as minhas idéias. Só então ela sorria, quando via minhas forças, minhas voz e minha personalidade abafadas pelos furacões que ela provocava pelo simples prazer de me ver perdida. E quando eu me reinventava, resolvia mudar o jogo e me transformar em uma mulher mais forte, mais firme e por vezes até cruel, ela chorava. Chorava como uma menina implorando por um colo seguro. Se desestruturava e gritava amor aos quatro ventos e novamente me tinha de baixo dos seus pés, limpando suas lágrimas, deitando-a no colo e protegendo como se ela realmente fosse indefesa.
Ela mora no meu espelho e em algum lugar bem escondido dentro de mim. Sinto falta dessa inconsequência e dessa coragem que só ela tem de se jogar do mais alto penhasco e sempre se manter no controle da situação. Ao mesmo tempo que sinto por todos aqueles que, um dia, ela fez questão de que estivessem debaixo dos seus pés.

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