terça-feira, 2 de outubro de 2012

Da série "Escritos de gaveta": Texto 2


O cheiro toma conta da casa. Saio para o quintal e vejo em cima do balcão, ao lado do tanque, os corpos jogados. Olhos estalados e sem brilho. Fecho os meus olhos e devagar vou esticando o braço para tocar assim, com a pontinha do dedo. Duro e morno. Corro de volta para dentro de casa, mas o cheiro ainda está lá e isso me angustia. Cheiro de coisa morta já à algum tempo, de pena molhada, de carne podre.
 Ele passa por mim com um sorriso de satisfação e uma faca enorme nas mãos dizendo "Teremos marreco para o almoço!". Perco o apetite.

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