segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Foda-se




Hoje fiquei triste. Depois de tanto tempo sem derramar uma lágrima creio que derramei o reservatório inteiro. Eu consegui esquecer e isso me fez sorrir durante vários meses consecutivos. O problema é que nunca deixei de amar. Hoje percebi que amo alguém que eu não lembro quem é. Hoje eu amo ninguém e ninguém me ama! Pode ser um péssimo trocadilho mas é assim que me sinto. As fotos estão bem ali. Dois cliques e "aháá" lembrarei como é o rosto dela. Mas não quero olhar, tenho medo.
Talvez me sinta estranha de ver a foto de alguém desconhecido me tocando, ou talvez até me dê náuseas. Melhor não, melhor continuar escrevendo mais um dia no meu blog que dessa vez servirá de diário e foda-se, hoje eu me permito. Me permiti até falar em você, veja que honra. Você aí que não tem mais um rosto, deveria me agradecer. Além de amar ainda escrevo sobre você em meu blog! Não que meu blog seja grande coisa mas você também não é, afinal se fosse, teria no mínimo um rosto.
Então, pessoa sem rosto e sem tantas outras coisas (disso eu ainda lembro) favor manter-se distante do meu pensamento. Deveria ao menos ter tido a dignidade de levar embora esses péssimos adjetivos que eu ainda lembro que pertencem a você. Da próxima vez bata os pés ao sair pela porta de alguém, tá dando trabalho limpar sozinha essa bagunça toda que você fez aqui.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A ultima carta não enviada.




Eu sei que você pensa em mim quando vê alguém falar em cinema, montagem ou Eisenstein. Quando alguém te diz pra ser menos metódica, menos séria, menos boba. Se alguém disser que te odeia, assim bem baixinho no ouvido, sei que nem que seja por um segundo você vai lembrar de mim. Quando alguém te chamar apenas pelas três primeiras letras do nome, chorar porque você vai viajar por 15 dias, te abraçar e dizer que sente orgulho após a apresentação de um trabalho, em algum momento eu estarei passando pela sua cabeça.
Sabe, eu não costumo pensar nisso. Você foi embora, não ligou, não deu sinal de vida e nem demonstrou nenhum sinal de arrependimento. E você sabe, não sou o tipo de pessoa que se deixa iludir ou que se ilude. Mas hoje o dia tava tão sem cor e eu me vi tristemente combinando com ele. Então, me permiti lembrar um pouquinho de toda aquela cor que a gente jogou uma na vida da outra. Que bagunça a gente fez heim? As vezes penso que toda aquela luz, toda aquela cor acabou por nos cegar um pouco.
Você está cega. Anda perambulando por aí, meio sem destino meio sem consciência. Falando sobre planos que nunca poderá cumprir, sobre amores que nunca terá a capacidade de sentir. Talvez nem perceba o que todo mundo percebe, que simplesmente você não faz ideia do que está fazendo da sua vida. E eu fico cada vez mais triste de olhar pra você e me decepcionar. Nunca me pareceu alguém equilibrada o suficiente pra aguentar a barra que estava enfrentando, mas te ver fazendo tudo errado só me faz ter mais certeza de que você não merece ter nas mãos o sentimento de ninguém, muito menos os meus.
Então em dias como hoje eu tenho as nossas lembranças pra não deixar que tudo fique cinza. É difícil abrir os olhos e perceber que não passam de lembranças que só existem na minha cabeça e que nunca mais se repetirão na minha vida. Mas enquanto eu não acordo, eu consigo sorrir um pouquinho. Lembrando do teu rosto, do teu cheiro, do teu corpo, do teu sorriso, matando a vontade de ter só mais uma vez nos meus braços.
Amanhã vai sair o sol, e eu não precisarei preencher a minha paleta com essas poucas lembranças que só me machucam. Amanhã vou abrir a janela pra luz entrar e a porta pra um novo amor que venha pra ficar. E vou sorrir como ontem e como o mês passado. Hoje vou ficar aqui, sozinha e em silêncio velando essas ultimas lembranças que resistiram a tantas noites em claro.

domingo, 11 de novembro de 2012

Desculpas.




Tudo me dói e eu não quero mais falar sobre isso. Na verdade criei uma espécie de escudo que funciona pra mim e para os outros e no fim me mantém em uma realidade longe daqui. Porque o problema é que eu continuo nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, com os mesmos hábitos e com os mesmos ideais. Deve ter sido fácil e divertido pra você que hoje frequenta a realidade que eu te inseri. O problema é que essa realidade era a minha! Então você está em tudo que eu faço e eu já não sei mais o remédio pra isso. Não quero deixar tudo pra trás porque simplesmente não tenho mais tempo pra me reconstruir. Quero poder conversar sobre tudo com os meus amigos, andar pelas ruas que sempre andei, ouvir as musicas que sempre escutei sem ter que me deparar com mais uma lembrança sua.
Então que me perdoem alguns amigos, as velhas ruas e as boas musicas. Hoje, pelo menos hoje, vocês são demais pra mim. Porque me trazem a lembrança daquilo que todos os dias eu rezo pra esquecer. Que me desculpe a jovem Cíntia insegura, sorridente, suave e sonhadora que eu tento voltar a ser. Pra você também não tem mais espaço aqui dentro então não tenta voltar a viver quando eu solto um sorriso bobo, você não tem forças pra aguentar o que vem na sequência. Não tem mais espaço aqui, pra nada e nem pra ninguém. Eu vivo transbordando, mas isso é quase um segredo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Simples.




Entenda uma coisa, estou aqui completamente atrapalhada tentando juntar o quebra cabeça que se tornou o meu coração. Não tenho forças e muito menos vontade de correr atrás de alguém, então é simples: se ela esteve aqui veio com as próprias pernas. E que verdades sejam ditas sem sutilezas, apenas para responder a altura; o problema é que havia alguém lá e esse alguém não era você. O que diga-se de passagem não faz sentido nenhum afinal você ainda falava em amor. Acreditar que uma pessoa que nem sabe escrever direito saberia o significado da palavra amor foi o meu erro. Hoje admito.
Mas as pessoas acham que o amor deixa todo mundo burro. Acorda mulher, antes de falar em maturidade faça uma breve auto-análise de como você tratou quem amava durante esse tempo todo e depois sim, podemos falar sobre as minhas culpas nesse caso. Mas por enquanto estou muito ocupada sofrendo por motivos que não tem nada a ver com você e muito menos com ela.
Se quiser puxa uma cadeira aí, podemos falar de família, de poemas, de qualquer coisa que tivermos em comum ou se quiser desabafar, fica a vontade. Se não  tudo bem, pra mim não faz diferença alguma. Continue aí colocando a culpa nos outros quando a maior culpada dessa história toda é você mesma. E apenas um último pedido, tente controlar melhor esse ímpeto de querer chamar a minha atenção cada vez que nos encontramos, se você sentisse o que eu sinto ao ver essa cena, provavelmente não conseguiria segurar essa vontade enorme de vomitar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Então tá...




Cansei de ser essa outra parte de mim. Essa cheia de princípios e que por ser assim, logo se decepciona com os outros porque acha que todo mundo é igual. Assumo esse outro lado que muitas vezes me coloca em perigo. Assumo os riscos de ser eu mesma e deixo todos os medos de lado. Não irei justificar o meu ciúmes sem cabimento, não darei satisfações e me recuso a responder perguntas do tipo: "Você gostou? Você quer? Você vem?" Não sei! E porque não quero saber, não estou a procura das respostas.
As coisas certas perderam a graça e as incertas não me cabem. Quero o que é passível de mudanças, ou o que simplesmente não se pode definir.  Cansei das definições, descobri que elas causam grandes decepções porque as pessoas mentem com muita facilidade. Eu quero conversas longas, risos frouxos, grandes amores e muito sexo. Quero poder falar "Pra quem você tá olhando?" se sentir vontade, mas também pode ser que eu não atenda ao telefone no dia seguinte. Quem sabe um dia alguém me mostre que ser emocionalmente íntegro nessa vida vale de alguma coisa e eu volte a me preocupar com os outros.
Enquanto isso serei encantadoramente livre, porque ser livre de certa forma é encantador. Vou te amar profundamente até chegar a hora de juntar as minhas roupas no chão. Farei juras de amor que durarão a eternidade de uma noite, ou duas quem sabe. Eu não me importo mais, mas essa é a última vez que eu digo isso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Reboco.



Foi um ato praticamente infantil; me presentear com um pedaço do reboco que caía da parede. Aquele sorriso envergonhado com a mão estendida em minha direção me fez sorrir também. Talvez você nem saiba que por muito tempo fiquei presa em um mundo sem essas felicidades bobas, sem esses sorrisos abertos e essa leveza que você, assim como eu, também carrega.
Houve um momento em que pensei que havia me deixado envelhecer. Que seria tão amarga e superficial quanto a maioria dessas pessoas infelizes. Mas não, eu só tinha guardado no fundo de mim aquela menina pra alguém que merecesse. E você merece tudo de mim. Então, se por algum motivo me ver correndo apenas de calcinha no teu corredor, gritando como se suas cócegas fossem uma tortura medieval ou até me pendurando no teu pescoço enquanto peço carinho, por favor não pense que sou louca ou imatura. É só felicidade de me sentir admirada por alguém que me conhece por inteiro. E veja só... eu escrevendo sobre felicidade. O crédito é todo seu. Vê seu nome ali? Ali, no meio de todas essas entrelinhas acompanhado por outra palavra que diz: "obrigada".