segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A ultima carta não enviada.




Eu sei que você pensa em mim quando vê alguém falar em cinema, montagem ou Eisenstein. Quando alguém te diz pra ser menos metódica, menos séria, menos boba. Se alguém disser que te odeia, assim bem baixinho no ouvido, sei que nem que seja por um segundo você vai lembrar de mim. Quando alguém te chamar apenas pelas três primeiras letras do nome, chorar porque você vai viajar por 15 dias, te abraçar e dizer que sente orgulho após a apresentação de um trabalho, em algum momento eu estarei passando pela sua cabeça.
Sabe, eu não costumo pensar nisso. Você foi embora, não ligou, não deu sinal de vida e nem demonstrou nenhum sinal de arrependimento. E você sabe, não sou o tipo de pessoa que se deixa iludir ou que se ilude. Mas hoje o dia tava tão sem cor e eu me vi tristemente combinando com ele. Então, me permiti lembrar um pouquinho de toda aquela cor que a gente jogou uma na vida da outra. Que bagunça a gente fez heim? As vezes penso que toda aquela luz, toda aquela cor acabou por nos cegar um pouco.
Você está cega. Anda perambulando por aí, meio sem destino meio sem consciência. Falando sobre planos que nunca poderá cumprir, sobre amores que nunca terá a capacidade de sentir. Talvez nem perceba o que todo mundo percebe, que simplesmente você não faz ideia do que está fazendo da sua vida. E eu fico cada vez mais triste de olhar pra você e me decepcionar. Nunca me pareceu alguém equilibrada o suficiente pra aguentar a barra que estava enfrentando, mas te ver fazendo tudo errado só me faz ter mais certeza de que você não merece ter nas mãos o sentimento de ninguém, muito menos os meus.
Então em dias como hoje eu tenho as nossas lembranças pra não deixar que tudo fique cinza. É difícil abrir os olhos e perceber que não passam de lembranças que só existem na minha cabeça e que nunca mais se repetirão na minha vida. Mas enquanto eu não acordo, eu consigo sorrir um pouquinho. Lembrando do teu rosto, do teu cheiro, do teu corpo, do teu sorriso, matando a vontade de ter só mais uma vez nos meus braços.
Amanhã vai sair o sol, e eu não precisarei preencher a minha paleta com essas poucas lembranças que só me machucam. Amanhã vou abrir a janela pra luz entrar e a porta pra um novo amor que venha pra ficar. E vou sorrir como ontem e como o mês passado. Hoje vou ficar aqui, sozinha e em silêncio velando essas ultimas lembranças que resistiram a tantas noites em claro.

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