segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Quando fiquei sozinha - Ne me quitte pas




Sempre fui uma criança medrosa. Se o meu pai se atrasasse 15 minutos para me buscar na saída da escola eu já me tornava convicta de que havia sido abandonada. E parece que mesmo depois de adulta as coisas não mudaram. Durante muito tempo acompanhada pelo medo físico e  desesperador de ser deixada, de estar sozinha no mundo.
Aos 15 anos tive a minha primeira namorada. Lembro de uma discussão pelo telefone em que ela disse que não viria mais passar o final de semana na minha casa. A primeira coisa que fiz quando ela dobrou a esquina foi chorar e ir ao encontro dela de braços abertos. Foi engraçado, segundo ela, tantas lágrimas por um simples "Quer saber, acho que não vou pra tua casa!".
Depois outra namorada, de quem escutei um "eu te amo" enquanto me falava sobre os motivos mais medíocres para terminar qualquer relacionamento. Eu, por outro lado, dizia que nada daquilo era possível porque naquele momento eu usava o vestido e o perfume que ela mais gostava. Eu nem ao menos conseguia lidar com o fato dela estar me abandonando, meus argumentos eram "Mas como assim? Eu coloquei o vestido e o perfume que você mais gosta!". Obviamente isso não surtiu efeito nenhum na decisão dela.
Só então eu resolvi ser sozinha de verdade. Aprendi a engolir o pânico e o choro e consequentemente me tornei mais forte, mais ríspida e mais fria. Nunca mais sofrerei de abandono novamente embora sofra todos os dias dessa dor. Foi então que algumas ofertas de amores bateram a minha porta. Ironia ou prazer humano de querer o que não se pode ter? Na verdade pra mim não faz diferença, meu coração continua nas minhas mãos.
Quase chego a pensar que essa gente que vem bater a minha porta é de um mau caratismo único. Como podem oferecer amor pra mim? Não entendem a gravidade dessa proposta? Obviamente que não. Então descarto todas as declarações e confesso que por vezes chego a bocejar enquanto você fala do quanto se apaixonou assim, tão rápido por mim.Por favor, não confunda minha idade com a minha inteligência. Se for pra sentir algo, que seja aquele amor que a gente sabe que dura pra sempre, por mais que se modifique, aquele amor que é capaz de dizer com convicção : "Quero que a gente nunca se separe, mesmo que tudo mude." porque esse é o único amor que eu ainda acredito na vida. De resto, se estiver interessada em balançar minhas estruturas terá um pouco de trabalho então lhe aconselho a procurar outra distração. Esse coração aqui tá fechado pra balanço por tempo indeterminado.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O Amor, o tempo, os bons acadêmicos e o meu foda-se!




Duas coisas tão descartáveis para os meus contemporâneos: amor e tempo. As vezes penso que não pertenço a esse meio, a essa gente que nem percebe mas passa a vida inteira atrás de algo que não sabe definir o que é. E o mais engraçado é que a boba nessa história toda sou eu.
Irresponsável, malandra, inconsequente são os adjetivos que eu mais escuto. Tudo porque não sou assim vendável como a maioria de vocês. Fico pensando em quanto tempo já perdi com essas coisas. Pra vocês tudo isso é parte da obrigação, da integridade e da moral de um ser humano ter um amontoado de papéis em uma gaveta escritos "certificados". Pra mim é papel que muitas vezes não serve nem pra limpar a bunda.
De forma alguma quero dizer que as pessoas devam se tornar ignorantes completos, mas será que eu sou a unica que percebe que tudo isso recebe uma importância muito maior do que de fato tem? Ninguém precisa de Doutorado pra ser feliz! Eu não quero, repito, não quero e não preciso de uma quantidade enorme de dinheiro no banco. Eu só quero viver, amar e ter um mínimo de tempo para fazer essas duas coisas.
Não me iguale a você. Quando pensar que por ser uma acadêmica (por enquanto) adepta de algumas conversas intelectuais e repertórios adquiridos em bibliografias de nome complicado me faz ser igual a você, esqueça isso! Eu não sou e não pretendo ser. Enquanto você tenta esculpir nas pessoas o amor perfeito, eu te digo que ele visitou a minha porta duas vezes. Com todas as suas complicações e passionalidades porque o amor verdadeiro nunca será perfeito.
Agora conte-me caro acadêmico... quantas vezes mesmo você perdeu o controle de seus próprios sentimentos? Bom, nem precisarei falar de tempo. Enquanto você perdia 12 horas com a cara enfiada em um livro, eu era feliz. Com uma simples conversa em familia, um filme assistido com uma boa companhia, ou  vendo a chuva bater na janela e ainda assim, receberei o mesmo canudo que você ao final do seu curso. Talvez pense que vai ser mais feliz por ter uma casa ou um carro melhor e etc. Eu só acho que você terá filhos mais mimados.
Mais um foda-se em meu blog, e esse foda-se vai pra vocês caros colegas.