quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Michiru.


A um ano atrás eu acordei perambulando por essa mesma sala, tentando encontrar respostas nos móveis, no teto, no casaco que você esqueceu jogado no sofá. Em uma cena deprimente e desesperadora digna de filme de terror. Não chovia, creio que isso pareceria óbvio demais. Era verão e os raios de sol entravam todos os dias pela manhã queimando a ilusão dos meus sonhos sempre permeados por ti.
As manhãs eram terríveis. Perambular por essa sala vazia se tornou rotina diária. Derrubei uma lágrima em cada centímetro dessa casa e tive as beiras de enlouquecer dadas as vezes que segurei o telefone na mão prestes a te pedir ajuda. Eu precisava compôr as peças desse quebra cabeça, eu precisava de um abraço teu dizendo que isso iria passar, eu precisava que você me dissesse que eu não estava sozinha.
O problema é que eu estava sozinha. Você entrou em uma espécie de disputa pelo papel de "Lésbica apaixonada a beira de um ataque de nervos". Eu achei tão infantil e ao mesmo tempo tão doloroso te ver com essa postura. Como quando você me disse: "Você tem que parar de se fazer de vítima para os nossos amigos!" Eu não fiz nada diante dessa declaração, segurei o choro porque dada a sua falta de sensibilidade, acharia que eu estava querendo fazer drama. Queria eu poder deixar você brilhar no papel de sofredora principal, mas parece que eu tenho mais dom pra isso, infelizmente.
Foi aí que eu percebi, você não me servia mais. Uma semana após você ir embora eu olhei nos teus olhos, e pior do que constatar que você era capaz de toda aquela frieza foi entender que por mais masoquista que eu fosse, era hora de me proteger.  Sabe quando uma roupa não serve mais, mas continua sendo a nossa preferida? Essa era você. A roupa que me sufoca, que não me serve, que mostra o pior de mim e ainda assim eu te amei todos os dias, antes e depois de você ir embora.
Passei a entender as mulheres que apanham e voltam pros seus maridos como a personagem Michiru em Last Friends. As vezes eu queria que você fosse uma espécie de Sosuke versão feminina, porque ele sempre voltava. Da janela poderia ser possível te ver de baixo de chuva, pedindo desculpas por me machucar mais uma vez e então diria "Nós não precisamos mais ser sozinhos, temos um ao outro pra sempre."
Eu fiquei doente, e hoje depois de passado exato um ano percebo que ainda não me curei dessa doença que foi te amar, e talvez nunca me cure. Não acho isso feio, não quero tratamento e não quero você de volta. Deixa eu desabafar escrevendo até que o meu sono volte e quem sabe, eu tenha chance de sorrir com o coração em paz durante algum sonho bonito.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Não... não dou licença.



Será que dá pra não pedir licença? Vejo que a qualquer momento começarei a receber ligações pedindo reservas "Ó eu to chegando, guarda tempo na tua vida e espaço no teu coração pra mim?". Gente eu não funciono assim! Eu não sei exatamente o que houve com as pessoas mas o romantismo sumiu e o frio na barriga parece um ato de extrema rebeldia.
Entra aí e vai se aconchegando. Acha um espaço pra você e se for pra me transportar pra outra realidade, que esse outro lado me faça MUITO feliz. Não me convide para aproveitar a paz de um silêncio a menos que queira me escutar roncando no seu ouvido. Eu não gosto de ver tv, detesto ver tv, de cultura inútil basta o monte de bobagem que eu tenho que escutar todo dia. Conheça os meus amigos, assista aos meus filmes prediletos, frequente os locais que eu frequento e de preferência faça tudo isso antes de dizer que me quer na sua vida. Mergulhe na minha realidade a ponto de conseguir ver a mesma poesia que eu vejo quando a chuva bate na janela. E se não fizer tudo isso ao menos tenha a decência de não exigir nada.
Não faço reservas, não arranjo lugares. Quem permaneceu na minha vida procurou bem por um lugar confortável no meu coração e se aconchegou na minha realidade. Eu, eu, eu... a dor resulta em um egoísmo vergonhoso! No fundo ainda sonho com alguém que tenha coragem suficiente pra não pedir licença porque o que me falta mesmo é coragem de dar permissão de entrada.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Silêncio.



- Acho que vou ficar surda com todo esse silêncio.
- Oi?
- Meus pensamentos, eles começaram a gritar.
- Do que você está falando?
- Daquela conversa que não tive, da declaração que nunca fiz, do babaca que não xinguei, da lágrima que não chorei.
- E o que você teria dito naquela conversa? De que forma iria se declarar? Como iria xingar o babaca?

Aumentou o som, ligou a tv, dançou sozinha no meio da sala. Ligou para alguém e pediu a Deus para que nunca a deixasse só, não poderia haver no mundo companhia pior.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

You are Unique.




Mais um pedaço que eu jogo ao mundo e digo "vá ser sozinho!". Vou espalhando por aí partes minhas como se jogasse migalhas aos pombos. Com você não foi diferente, levou junto um pouco de esperança, um pouco dos meus sorrisos, um pouco da minha paz, um pouco da minha arte e alguns textos não divulgados.
Eu não acho justo ter agora que sentir a sua falta, ter que encarar a saudade de algo que nunca existiu de verdade. Me falta frieza. Sou acompanhada por essa mania de amar tudo que é belo, simples, diferente, único.
Fico pensando que talvez um dia eu me desfaça e vire pó, e saia voando pelo ar. Assim ninguém mais terá partes minhas nas mãos. A liberdade me fará inteira.