domingo, 24 de março de 2013

Perdas.




Olhava o travesseiro ao acordar e o encontrava cheio de fios.  Assim começavam todos os dias contabilizando as perdas; os fios de cabelo, um amor que foi embora, a jaqueta favorita esquecida no vagão do metrô, o anel de 15 anos e um milhão de outras coisas.
A cada perda ela mudava um pouquinho. As vezes era só o cabelo, um corte diferente ou uma mecha de outra cor. Outras vezes essa mudança era muito mais profunda e visível apenas para quem ousasse lhe encarar os olhos. O sorriso foi diminuindo, o café ficando mais amargo e os planos mais silenciosos. Foi parando de escrever, de chorar e de sonhar antes de dormir. Foi perdendo as cores e quando percebeu, já nem sabia falar de amor.


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