quarta-feira, 3 de abril de 2013

Carmen



Interessante e suave como uma típica sagitariana. E eu com não mais que nove anos de idade e um cabelo loiro que se estendia em fios lisos até a cintura. Não lembro quando começou, mas lembro exatamente a sensação de vê-la pelo reflexo do espelho sorrindo enquanto penteava os meus cabelos. Depois de um tempo eu costumava surgir na porta do quarto dela com uma escova em mãos, enquanto as borboletas pareciam criar um tornado na minha barriga. Ela tentava conter o riso e entendia o recado sem que eu precisasse pronunciar nenhuma palavra. Era uma espécie de código que acabamos criando.
Naquele momento conversávamos sobre tudo, como se ela tivesse nove anos, ou eu trinta e dois, ou nós um meio termo entre isso. Um dia minha família precisou se mudar e eu nunca mais vi seu reflexo no espelho. As vezes percebo que procuro vestígios dela em cada sorriso deboxado e unhas vermelhas.

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