quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014


"Eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que lhe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar,
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz,
Não lhe deixou falar.
Eu gostei tanto,
Tanto, quando me contaram
Que tive mesmo de fazer esforço
Prá ninguém notar.
O remorso talvez seja a causa
Do seu desespero
Ela deve estar bem consciente
Do que praticou,
Me fazer passar tanta vergonha
Com um companheiro
E a vergonha
É a herança maior que meu pai me deixou;
Mas, enquanto houver força em meu peito
Eu nao quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança
Aos santos clamar
Ela há de rolar como as pedras
Que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu
Pra poder descansar"

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Mentirosa.



Nem sempre falo a verdade. No meio de tanta sinceridade eu deixo existir um pouquinho de uma Cíntia mentirosa que inclusive também se considera escritora. Aumento, amenizo e invento histórias apenas pelo prazer de fazê-lo, sem nenhuma pretensão. Ultimamente esse hábito tem se espalhado pela minha vida, e as vezes me vejo inventando sentimentos apenas pelo prazer de inventar.Quando não se pode ter algo a gente costuma sonhar. Portanto é bom ter cuidado, a ilusão pode deixar cicatrizes profundas.

(6 março 2013)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Some part of me



Eu te quis pra mim. Eu que não sou muito de querer nada que não possa ter me vi te admirando dançar. Meio "torta", fora do compasso da música e da festa (acho que naquele momento fora do compasso da própria vida). Perdida entre garrafas de bebidas, tentando manchar as lembranças de um passado tão intenso e presente que eu quase conseguia vê-lo ali do teu lado.
Eu quis muitas vezes te gritar, te sacudir, dizer que eu não conseguia nem cuidar de mim mas que por ti eu seria forte e corajosa. Deu vontade de dizer "Não chora assim, é tanta maldade que nenhuma dessas lágrimas sejam pra mim!" mas tu não irias escutar, teu pranto era alto, doído! Então eu calei, passei minha mão sobre os teus cabelos e beijei o teu rosto. confesso que chorei, não pela tua dor ou pela minha, mas por essa crueldade dos desencontros amorosos.
O tempo não me deixou te esperar. Logo surgiu outro alguém que ocupou o lugar das minhas lágrimas. E tu também. Me procurasse para sorrirmos juntas. Eu me surpreendi porque sempre pensei que as tuas lágrimas e cabelo caído no rosto tinham te impedido de ver meu sorrisos. Foi então que eu percebi que na verdade tu só pôde me ver sorrindo quando o motivo era outra pessoa.
Dessa vez eu não chorei, só lamentei esse tempo tosco, esses desencontros loucos, essas cegueiras que a dor nos causa. Tanta gente querendo só nos fazer sorrir e a gente ainda se deixa fazer chorar.

"Vi na sua solidão uma amiga para a minha solidão, e pensei que elas pudessem brincar juntas enquanto nós nos divertíamos" Tati Bernardi.