sábado, 12 de abril de 2014

A minha grande pequena.



Visto por engano os chinelos dela e percebo o quanto eles ficam grandes, caem do meu pé. A minha mão também nunca coube na mão dela, mas ela sempre segurava forte pra não deixar escapar. Eu cabia mesmo era naquele sorriso, eu poderia morar ali em algum lugar entre a covinha do lado da boca e o furo no queixo ou prazerosamente enredada naqueles cabelos fininhos atrás da orelha. A verdade é que viveria naquele corpo todo se ela deixasse.
Eu tentei ser um lar confortável, mas acho que tenho braços pequenos de mais pra ela que é enorme e nem sabe disso. Enquanto ela anseia por engolir um mundo que já conhece eu só quero mesmo é um espacinho no colo de alguém pra fugir da imensidão obscura e solitária que eu carrego aqui dentro. Assim a gente vai andando na contra mão, fingindo que qualquer hora nossas rotas paralelas vão se cruzar e a gente vai caber no abraço uma da outra.
É só um chinelo enorme no meu pé pequeno, e eu sou pequena demais pra carregar tantas saudades.

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