segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

It's all outside and i'm hier.





Eu vejo pela janela da minha vida estradas infinitas, sorrisos constantes, amores próprios que exalam auto confiança. E eu fico aqui, como uma criança que não pode ir pra rua brincar como todas as outras e que por isso inventa seus próprios jogos. Eu nasci com olhos diferentes. Um dia me disseram que pessoas assim são especiais, mas não são. Pessoas como eu são apenas solitárias porque vivem em um mundo que ninguém mais consegue entrar. Da minha janela eu consigo ver gente que tem paz na alma, sorriso no rosto, esperança no amanhã. Vejo a maneira como elas sorriem e treino no espelho, troco algumas peças de roupa, finjo interesse pelos assuntos que elas se interessam enquanto espero acordar dessas tempestades que eu mesma crio por puro desespero.
Eu ainda tô presa em um apartamento pequeno, olhando a chuva bater na janela, imaginando como vivem todas as outras crianças, esperando o fim da tarde porque é o horário mais bonito. É quando o sol fica laranja e meus pais vem me buscar, é quando eu recebo abraços e tomo café quentinho, é quando meu irmão puxa meu cabelo só pra me ver gritando, é quando todo o resto do mundo deixa de existir pra caber em um apartamento.
Eu vejo a vida da janela e abano pra quem passa por aqui, mas se me olham eu faço careta e coloco a língua.
"Queria conseguir te deixar saber tudo o que ainda precisa ser curado dentro de mim, com duas das suas palavras mais bonitas e um dos seus beijos mais calmos. Às vezes, eu gostaria que você visse o mundo aqui da minha janela, e soubesse do que eu estou falando. Queria que entendesse meus acessos de seriedade quando alguma frase sua fez meu cérebro pifar. A verdade é que eu odeio esse meu vício crônico de não deixar nada passar, mas foi algo que eu aprendi enquanto tentava me proteger. Talvez eu saiba, de alguma maneira estranha, que nada disso vai funcionar como eu acredito ser o mais bonito - e mesmo assim, eu acredito."

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