segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

"O amor mais manso, mais denso, mais intenso, mais bonito..."


Ler escutando: https://www.youtube.com/watch?v=UKiLicOMglE


Quando a gente entra na nossa casa toda maldade do mundo fica do lado de fora. Na nossa casinha não cabe mentiras, intrigas, falsos sentimentos e tudo o mais que essa gente toda insiste em cultivar. A gente senta no sofá que nem é um sofá de verdade e corre na volta da mesa que quase desmonta enquanto a gente dá risada. Mas isso é um segredo nosso, ninguém entenderia se a gente contasse.
Tem carinho desde o tapete da sala até o pegador de pratos quentes carinhosamente apelidado de Kéko. Tem amor no café quentinho e também debaixo do lençóis. Tem companheirismo nas roupas jogadas e nas séries que assistimos. Tem paz na varanda de casa e no filtro dos sonhos. Tem tormento também, desde o papel higiênico colocado ao contrário até o celular com facebook.
Tem a gente. E a gente é um mundo tão completo que do lado de fora das nossas paredes parece que falta alguma coisa, que os outros não sabem o que a gente sabe; que carinho é combustível, que maldade é doença, que o amor é a única coisa que faz essa vida valer a pena. Que estar lá quando o outro precisa é plantar a certeza de que a gente não precisa enfrentar tudo sozinho. Cuidar do outro é cuidar de si, não magoar o outro é não magoar a si mesmo. E que nossos detalhes não são nada perfeitos mas o nosso todo extrapola a perfeição. Tanta gente aí desesperado pra ter com alguém um pouquinho do que a gente tem, mas sem saber o que a gente sabe.
A gente planta bondade e colhe felicidade, mas não conta pra ninguém, eles não entenderiam se a gente contasse.