terça-feira, 24 de maio de 2016

Só.


Em alguns dias eu tenho sonhos cheios de cores. Geralmente esses sonhos não terminam quando acordo e me acompanham até o final do dia, quando antes de dormir me pergunto qual será o meu destino no sonho que virá. Escovo os dentes, sirvo meu café, visto uma roupa qualquer para ir trabalhar. Finjo me interessar pelo assunto dos outros, finjo sorrir, mas na verdade não estou realmente ali. São dias em que quase tudo que me é externo machuca. Uso relacionamentos como pontes com a realidade mas em alguns dias me sinto tão presa em mim que não consigo visualizar as pontes. Tudo se torna um borrão cinza e eu me encolho, ainda mais. E quanto mais me encolho mais me machuco e se por acaso tento mudar de lugar perco as forças.
Me refugio nas cores menos vibrantes desses sonhos que possuem paletas intermináveis. Quando tropeço em cinza desenho cidades vazias e por lá ando sozinha. E se do lado de fora o sol resolve dar as caras eu seguro o choro. Não que o sol seja triste, mas é justo que eu não consiga admirá-lo? É justo que ele sorria pra mim e eu não possa sorrir de volta?

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